Aquecimento e escassez de chuvas na Amazônia devido ao El Niño
Em setembro, a temperatura da floresta na Amazônia superou a média histórica em 2,4 graus. O fenômeno El Niño está causando secas e redução das chuvas na região.

Pesquisadores do Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO) estão observando os efeitos do fenômeno El Niño em uma área de floresta primária preservada na Amazônia. De acordo com uma pesquisa recente, em setembro, a temperatura na floresta subiu 2,4 graus Celsius acima da média registrada nos últimos 14 anos para o mesmo período.
Os cientistas estão monitorando fatores como o volume de chuvas, a temperatura e a umidade do ar, bem como a temperatura e a umidade do solo. Os dados obtidos são coletados por instrumentos instalados em uma torre de 325 metros de altura, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, a cerca de 150 quilômetros de Manaus.
Os resultados já indicam uma intensificação das condições de calor e seca na região amazônica. Em julho, por exemplo, foram registrados apenas 21 milímetros de precipitação, o que representa uma queda de 73% em relação à média histórica. O cenário se repetiu em agosto, e em setembro, até o momento, o volume de chuva foi de apenas 2 milímetros, uma redução de quase 66%.
A umidade relativa do ar também caiu significativamente, apresentando níveis inferiores ao que é normalmente observado neste período do ano. No solo, a temperatura continua acima da média desde janeiro, enquanto a umidade nas camadas superficiais permanece em níveis baixos.
Cléo Quaresma, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, afirma que os efeitos do El Niño começaram a ser notados a partir de julho, com o início da estação seca. O objetivo do monitoramento é compreender como a combinação de menos chuvas e temperaturas elevadas pode impactar o funcionamento da floresta, com a preocupação de que isso altere processos vitais como as trocas de carbono e água com a atmosfera. O observatório já identificou efeitos semelhantes em episódios anteriores do El Niño, especialmente entre 2015 e 2016 e entre 2023 e 2024.
Fonte: D24AM