Artista de Rondônia usa materiais amazônicos em arte de denúncia ambiental
Jorge Feitosa, artista rondoniense em São Paulo, apresenta obras que refletem sobre memória e identidade da Amazônia em sua exposição em Paris.

O artista rondoniense Jorge Feitosa, que atualmente vive em São Paulo, está aprofundando suas pesquisas em pintura com uma nova abordagem que reflete a essência da Amazônia. Em outubro de 2025, ele desembarcou em Paris para sua primeira exposição individual, intitulada Viagem: Matéria, Rito e Memória Ancestral, onde apresentou um trabalho que considera uma reocupação simbólica do espaço europeu com elementos de sua terra natal.
Na exposição, Feitosa trouxe a argila do Rio Madeira, ossos de peixes amazônicos e a memória ancestral de seu povo, desafiando a visão eurocêntrica da Amazônia. Segundo o artista, ao levar esses elementos à Europa, ele inverte a narrativa: “Não é a Amazônia que está sendo descoberta, é a Europa que está sendo confrontada pela presença física e espiritual de nosso território”, afirmou.
A mostra consistiu em 22 obras criadas entre 2012 e 2025, refletindo décadas de pesquisa em diversas linguagens artísticas, como pintura, fotoperformance e escultura. A conexão entre corpo, território e memória permeou toda a exposição, que provocou reflexões sobre questões éticas globais, especialmente em relação à exploração da Amazônia e suas comunidades.
Feitosa destaca a importância da argila do Rio Madeira, que carrega significados políticos e espirituais: “Ela é o chão que sustenta as comunidades e um depósito de memória de um rio que sofre com as hidrelétricas e o garimpo ilegal”. Sua intenção é trazer a realidade da Amazônia para o espaço europeu, fazendo um contraste com a estética das galerias.
Uma das séries de destaque na exposição é Kintsugi (2024), onde ossos de peixes são cobertos com folhas de ouro, simbolizando a transmutação da dor em dignidade. Com uma formação que abrange desde a fotografia até as artes visuais, Feitosa vê sua obra como um diálogo entre a rusticidade da floresta e a sofisticação da arte contemporânea. Ele acredita que sua identidade é um movimento constante entre a Amazônia e a metrópole, refletindo sobre pertencimento, memória e o impacto da exploração ambiental.
Fonte: Portal Amazônia