Ciranda Tradicional conquista segundo título no Festival de Cirandas
A Ciranda Tradicional se destacou no 28º Festival de Cirandas de Manacapuru, garantindo seu segundo título consecutivo. A apresentação trouxe um forte apelo ambiental e social.

Manacapuru, a 68 quilômetros de Manaus, foi palco do 28º Festival de Cirandas, onde a Ciranda Tradicional conquistou o título de bi-campeã no último fim de semana. A Ciranda Guerreiros Mura ficou em segundo lugar, enquanto a Ciranda Flor Matizada não participou da competição em respeito à memória do artista Jone Salgado, que faleceu recentemente e era parte da equipe de alegorias. Como reconhecimento, a Flor Matizada receberá a certificação Hors-Concours, uma premiação simbólica.
No domingo, dia 30, a Ciranda Tradicional apresentou o espetáculo intitulado “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”, reunindo uma grande plateia no Parque do Ingá. A apresentação não apenas encantou os presentes, mas também trouxe à tona a luta pela preservação da Amazônia e a resistência dos povos tradicionais, ressaltando a importância da floresta para a identidade cultural local.
A narrativa do espetáculo percorreu diversos temas, começando pela devastação da terra, passando pela resistência e culminando em uma mensagem de esperança e mudança. Além dos aspectos ambientais, a Ciranda Tradicional incorporou questões sociais relevantes, levantando bandeiras contra a intolerância religiosa e a homofobia, destacando a importância da valorização dos povos indígenas e das religiões de matriz africana.
A performance teve início com uma encenação que retratou o confronto histórico entre colonizadores e indígenas, utilizando dança e teatro para ilustrar a origem dos conflitos. O ponto alto da apresentação foi a entrada de uma alegoria que simbolizava essa batalha, integrando-se à performance dos brincantes e unificando elementos cênicos na arena.
Além de celebrar a vitória, a noite também foi marcada por reencontros significativos na história da agremiação. Felipe Pipow, que foi responsável pela coreografia do cordão de entrada, retornou após 17 anos, encontrando uma nova geração de cirandeiros. Ronei Santos, natural de Tefé e membro da Tradicional há três anos, também compartilhou sua trajetória, que começou ao conhecer a ciranda em seu município natal antes de se mudar para Manaus e se integrar à agremiação.
Fonte: D24AM