As Aventuras e Controvérsias de Alexandre Haag na Amazônia
Alexandre Haag, engenheiro e aventureiro, teve uma vida marcada por realizações e delitos na Amazônia. Seu legado se entrelaça com a história da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

A trajetória de Alexandre Haag é repleta de eventos intrigantes que vão muito além de relatórios técnicos e tabelas de engenharia. Este personagem inclassificável ajudou a projetar a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) e a expansão do telégrafo na região Norte do Brasil, mas sua história é digna de um filme ou de um romance de época.
Nascido em Moscou e criado sob os ecos da Guerra da Crimeia, Haag chegou ao Brasil em 1875 para escapar do conflito contra a Turquia. Em novembro de 1883, desembarcou na região do Rio Madeira, onde hoje se localiza a cidade de Porto Velho, após uma expedição fracassada. Naturalizado brasileiro, ele se tornou um renomado sertanista a serviço do governo do Amazonas.
Durante sua carreira, Haag enfrentou 54 dias de desafios a partir de Santo Antônio do Rio Madeira, mapeando terrenos perigosos e repelindo ataques indígenas. Contudo, em 1884, ele surpreendeu a todos ao afirmar que a ferrovia Madeira-Mamoré seria “onerosa e inviável”, propondo rotas alternativas que beneficiariam a Bolívia, ignorando os interesses do Mato Grosso.
Após uma série de polêmicas, incluindo sua fuga para a Europa em 1885, onde foi acusado de niilismo e perseguições do czar Alexandre III, Haag retornou ao Brasil em 1886. Ele se destacou em uma conferência na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, mas seu comportamento financeiro sempre foi questionável. Demitido por desvio de dinheiro, ele fugiu para Paris, onde se envolveu em escândalos, incluindo um controverso relacionamento com uma cortesã britânica que terminou em roubo.
De volta à Amazônia em 1897, Haag foi preso por falsidade ideológica e peculato, além de enfrentar acusações de bigamia. Mesmo encarcerado, ele mantinha uma postura elegante e falava sobre seus projetos. Morreu em 1906, aos 52 anos, na cadeia de Belém, após ser agredido por um desafeto. Apesar de suas ações duvidosas, seus relatórios influenciaram o Tratado de Petrópolis, que levou à conclusão da EFMM em 1912, consolidando seu legado como um personagem complexo da história amazônica.
Fonte original
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