Avanço do Atlântico transforma a vida na foz do Amazonas
As chuvas e secas na Amazônia alteram a interação entre o rio Amazonas e o Oceano Atlântico, provocando mudanças significativas na vida local.

As intensas chuvas e secas na Amazônia têm provocado alterações na dinâmica entre a foz do rio Amazonas e o Oceano Atlântico, resultando em marés elevadas e na salinização das áreas costeiras. A praia do Goiabal, localizada no Amapá, é um exemplo claro desses impactos, onde a luta entre o rio e o mar se torna evidente.
Durante a estação chuvosa, o rio Amazonas se expande, avançando até 1.000 km dentro do Atlântico. Esse fenômeno ocorre entre fevereiro e abril, quando a pluma do rio leva uma abundância de nutrientes que favorecem a biodiversidade marinha, influenciada pela Corrente Marítima Norte Brasileira, que transporta esses nutrientes até o Caribe.
A mistura das águas doce e salgada na foz do Amazonas gera uma região de beleza singular e uma cultura costeira pouco conhecida. A economia local depende fortemente da pesca, envolvendo pescadores artesanais e industriais que capturam diversas espécies como camarões e peixes migratórios. O equilíbrio entre essas águas, no entanto, está sendo rapidamente alterado.
O aquecimento global tem intensificado o ciclo hidrológico na Amazônia, resultando em secas e chuvas mais extremas. Os pescadores da praia do Goiabal, como Osiel Barbosa Balieiro, conhecido como Bicudinho, notam que a água salgada está cada vez mais presente, indicando que o mar está avançando sobre suas áreas de pesca, enquanto os peixes de água doce, como a piramutaba, se tornam menos frequentes.
Com o aumento do nível do mar, que já subiu 12,4 cm em três décadas na região da foz, os impactos são evidentes. A erosão e a salinização das terras e igarapés têm alterado a economia local, que se baseia na pesca e no extrativismo. Atualmente, a praia do Goiabal abriga apenas sete famílias, a maioria composta por homens que enfrentam as marés diárias, enquanto suas famílias residem na cidade mais próxima em busca de melhores condições de vida.
Fonte: Portal Amazônia