Brasil registra 24.137 acidentes com abelhas e 75 mortes até agosto de 2026
O Brasil registrou 24.137 acidentes com abelhas em 2026, levando à necessidade de orientação sobre como agir em casos de picadas. Um ataque recente a uma menina em Minas Gerais reforça a importância dessas informações.

De janeiro a agosto de 2026, o Brasil registrou 24.137 acidentes com abelhas e 75 mortes, superando o total de todo o ano de 2025, que teve 74 óbitos em 24.835 ocorrências, segundo dados do Painel Epidemiológico de Animais Peçonhentos.
No último dia 14, uma menina de 12 anos foi atacada por um enxame nas proximidades de uma escola municipal em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, o que acendeu um alerta sobre como agir em casos de ataques de abelhas.
Segundo a alergista e imunologista Aline Gomes, é importante diferenciar uma reação alérgica de uma reação causada pela grande quantidade de veneno recebida. Em uma reação alérgica localizada, os sintomas costumam aparecer na região da picada, como vermelhidão, dor e inchaço. Ela recomenda lavar o local com água e sabão, aplicar compressa fria e, quando indicado, usar antialérgicos e pomadas.
Uma única picada pode desencadear uma reação alérgica grave, conhecida como anafilaxia, com sintomas como urticária, inchaço pelo corpo, falta de ar e edema de glote, dificultando a passagem de ar. Aline alerta que é fundamental observar atentamente os sintomas após a picada e procurar atendimento médico diante de sinais de gravidade.
Além disso, uma pessoa pode apresentar quadro grave sem ter alergia, quando recebe muitas picadas e, consequentemente, uma grande quantidade de veneno entra no organismo. Nesses casos, é importante procurar emergência médica mesmo sem histórico de alergia, pois a gravidade pode variar conforme a quantidade de veneno e a espécie de abelha.
Quando o ferrão permanece na pele, a orientação é retirá-lo o quanto antes, sem apertar a região, utilizando a ponta de cartão bancário, régua ou unha rente à pele para empurrar o ferrão para cima. Espremer o local não é recomendado, pois pode liberar mais toxina no corpo. Após a retirada, deve-se observar sinais como coceira, urticária, dor abdominal, vômitos, falta de ar ou sensação de fechamento da garganta, que exigem atendimento médico imediato.
Pessoas com diagnóstico de alergia ao veneno de abelha devem seguir a orientação do alergista e manter consigo a adrenalina autoinjetável para situações de anafilaxia, além de usar antialérgicos conforme prescrição médica.
Para quem já apresentou reação alérgica, a avaliação com alergista pode identificar o tipo de reação e o risco em nova exposição. Em casos graves, existe imunoterapia específica para veneno de abelha, que utiliza doses controladas para modificar a resposta do sistema imunológico e reduzir reações intensas em futuras picadas.
Nos casos de anafilaxia, a adrenalina é o principal medicamento de emergência, e outras medicações e medidas de suporte são usadas conforme o quadro clínico. Em intoxicações por múltiplas picadas, o tratamento ocorre em ambiente hospitalar, com acompanhamento dos sinais e controle dos efeitos do veneno.
Não há repelente específico para abelhas, e repelentes convencionais não afastam enxames. Em áreas com presença desses insetos, recomenda-se evitar perfumes e produtos com cheiro forte, roupas muito coloridas e bebidas doces em ambientes externos, que atraem abelhas. Ao perceber um enxame, não se deve mexer na colmeia, mas correr para local fechado, protegendo rosto e olhos. Não se deve tentar espantar as abelhas com as mãos nem pular em rios, lagos ou piscinas, pois as abelhas podem esperar na água. Em caso de ataque, acione equipes especializadas, como o Corpo de Bombeiros, para retirada dos animais e procure atendimento médico se houver muitas picadas, dificuldade para respirar, inchaço intenso ou tontura.
Fonte: D24AM