Burnout na Saúde: Necessidade de Formação Humanizada é Urgente
O aumento de casos de burnout entre profissionais de saúde em Manaus acende o alerta para a importância da formação humanizada e do cuidado com a saúde mental.

Manaus - As profissões da saúde são notoriamente exigentes, dado o constante trabalho em ambientes de alta pressão, onde os profissionais lidam com situações de emergência e pacientes em momentos críticos. Este cenário, que já apresentava desafios significativos, foi ainda mais exacerbado pela pandemia de Covid-19.
Pesquisas recentes revelam um aumento alarmante nos problemas de saúde mental entre esses profissionais. Um estudo divulgado em 2025 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na Europa aponta que um em cada três profissionais de enfermagem e medicina está enfrentando depressão. No Brasil, dados do Observatório da Saúde do Trabalho e da Fiocruz indicam que entre 30% e 40% dos trabalhadores da saúde já relataram sintomas significativos de depressão, ansiedade e burnout.
Com essa realidade preocupante, instituições de ensino têm se mobilizado para incluir discussões sobre saúde mental e humanização nas suas grades curriculares. Jonatas Lopes, um estudante de técnico em enfermagem de 33 anos no Centro de Ensino Técnico (Centec) em Manaus, destaca que o tema é frequentemente abordado em sala de aula como uma maneira de prevenir o adoecimento dos futuros profissionais. “Temos uma disciplina de ética profissional que enfatiza a importância do atendimento humanizado, tanto para os pacientes quanto para os próprios profissionais de saúde”, afirma.
A professora Jordana Pollari, responsável pelas disciplinas de ética e humanização no Centec, ressalta o papel fundamental das instituições na formação dos alunos. “A inclusão de conteúdos sobre saúde mental, autocuidado e gestão do estresse é essencial”, explica. Ela também alerta que o ambiente de trabalho pode influenciar significativamente esses profissionais, afirmando que a falta de comunicação e suporte institucional pode agravar o estresse e o esgotamento.
Para mitigar os efeitos do burnout, especialistas recomendam a adoção de hábitos que promovam um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional. Estabelecer limites claros entre trabalho e descanso, manter uma rotina adequada de sono e alimentação, e buscar apoio psicológico são algumas das medidas sugeridas. Além disso, fortalecer laços com colegas e investir em momentos de lazer são práticas que podem ajudar a prevenir o adoecimento mental entre os profissionais da saúde.
Fonte: D24AM