Cachaça e Café: A União Inusitada de Pai e Filho no Acre
Aloísio Júnior e seu pai, Aloísio David, inovam ao combinar cachaça artesanal com café robusta amazônico em Acrelândia. A bebida já agrada o público local e promete crescer no mercado.

Em Acrelândia, no interior do Acre, um pai e um filho estão fazendo história ao unir cachaça e café em uma bebida única. Aloísio Júnior, de 32 anos, e seu pai, Aloísio David de Oliveira, de 67, são os responsáveis por essa inovação que combina a produção de cachaça com o café robusta amazônico, ambos cultivados na região.
A história da família com a cachaça começou em 2017, quando Aloísio David decidiu investir na produção. Com a compra de um alambique de segunda mão com capacidade para 250 litros, a dupla começou a transformar o conhecimento agrícola e técnico em uma nova empreitada. A produção inicial, modesta, variava entre 20 a 30 litros por dia, enquanto Júnior ainda morava em Rio Branco e vendia as bebidas de porta em porta.
Após anos de dedicação e adaptações às condições locais, a cachaçaria da família foi regularizada em setembro de 2025, permitindo uma produção de até 50 mil litros por ano. Atualmente, a produção gira em torno de 15 mil a 18 mil litros. A ideia de misturar cachaça com café surgiu da relação familiar com o cultivo de café, e a parceria com Vanderlei de Lara, produtor do Café Lara, foi essencial para o desenvolvimento da nova bebida.
A infusão do café robusta amazônico na cachaça não acontece no processo de destilação, mas sim após a produção da cachaça, onde os grãos são deixados em contato com a bebida por cerca de 30 dias. Essa técnica permite que os aromas e sabores do café sejam transferidos para a cachaça, resultando em um produto final que tem um teor alcoólico de 35%, ligeiramente inferior ao da cachaça tradicional.
Com a aprovação do público na Expoacre deste ano, onde todas as 250 garrafas levadas foram vendidas, o produto, batizado de Aquiry, já começa a ganhar mercado fora do Acre. O nome, que significa 'rio dos jacarés' na língua do povo Apurinã, reflete a identidade acreana e a conexão com a Amazônia. A linha de cachaças conta com oito versões, cada uma trazendo um aspecto único da biodiversidade amazônica, e a expectativa é de que a produção chegue a 40 mil litros até 2027, com planos de expandir para outros estados e até países como Portugal e Peru.
Fonte: Portal Amazônia