Cacique Raoni reflete sobre direitos indígenas enquanto se recupera em hospital
Internado desde junho, Raoni Mẽtyktire espera pela demarcação de suas terras e fala sobre o legado que deixa para as novas gerações.

O cacique Raoni Mẽtyktire, uma das figuras mais emblemáticas da luta pelos direitos indígenas no Brasil, se encontra internado no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), desde o dia 19 de junho. Considerado um ícone entre os Mebêngôkre, também conhecidos como Kayapó, Raoni é uma liderança que representa a resistência de seu povo, que habita terras entre o norte de Mato Grosso e o sul do Pará.
Em meio a sua recuperação, seu neto, Takakpe Tapayuna Mẽtyktire, de 33 anos, destaca as preocupações do avô sobre o futuro da luta pelos direitos indígenas. Takakpe, que é pedagogo e assessor político-institucional do Instituto Raoni, participou da elaboração do livro 'Memórias do Cacique', que reúne relatos sobre a vida e a luta de Raoni, oferecendo um olhar íntimo sobre a história de sua família e do povo Mebêngôkre.
Takakpe compartilha que Raoni enfrenta fragilidades devido à idade, mas está sendo bem cuidado por uma equipe médica especializada. Ele enfatiza a importância da interação social para a saúde mental do avô, que ainda busca transmitir seu legado e as tradições de seu povo, mesmo enquanto se recupera.
Uma das principais inquietações de Raoni é se a nova geração continuará a luta por seus direitos. Takakpe reforça que o Instituto Raoni, fundado pelo cacique, é vital para a defesa dos interesses do povo Kayapó. Ele alerta para os perigos da influência externa no território, onde não indígenas tentam conquistar terras com promessas financeiras, algo que vai contra a visão indígena de riqueza, que está ligada à natureza e ao território.
Além de falar sobre as preocupações atuais, Takakpe menciona o sonho de Raoni de ver a demarcação de suas terras, a Terra Indígena (TI) Kapoto-Nhĩnore. Apesar da demora nos processos burocráticos e das dificuldades enfrentadas com governos anteriores, a esperança persiste. Os estudos de identificação e delimitação da área foram aprovados pela Funai em 2023, mas a luta pela concretização desse sonho continua.
Fonte: Portal Amazônia