Cai 1 tonelada de lixo espacial na Terra semanalmente e preocupa cientistas
Quase 1 tonelada de lixo espacial atinge a Terra semanalmente, levantando preocupações após incidentes como a queda de um anel metálico no Quênia.

No mês de dezembro, os habitantes da vila de Mukuku, localizada no Quênia, testemunharam a queda de um anel metálico pesando centenas de quilos. Esse objeto foi identificado como parte de um foguete francês que esteve em órbita por 16 anos. O impacto causou um estrondo significativo e resultou em rachaduras nas casas da região, evidenciando a crescente preocupação com o retorno de lixo espacial à Terra, especialmente com o aumento de lançamentos realizados por governos e empresas privadas, conforme reportado pelo The New York Times.
Embora a maioria dos objetos que reentram na atmosfera terrestre seja destruída pelo calor gerado durante a passagem, fragmentos ainda conseguem atingir o solo. Locais como a Flórida, Polônia e Canadá já foram alvos de tais incidentes. De acordo com dados da Força Espacial dos Estados Unidos, o número de alertas sobre objetos que entram na atmosfera cresceu de 110 em 2015 para uma previsão de quase 820 em 2025.
Um estudo realizado pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos estima que, até 2035, destroços de satélites poderão causar ferimentos ou até mortes a cada dois anos. Essa preocupação é reforçada por Mariusz Slonina, chefe das operações de monitoramento da situação espacial da Agência Espacial Polonesa, que afirmou em entrevista ao jornal americano que objetos com peso de uma tonelada ou mais caem na Terra aproximadamente uma vez por semana.
Fazer previsões sobre o local exato de impacto desses objetos apresenta desafios técnicos significativos. Um simples erro de um minuto na reentrada pode alterar a região de queda em quase 480 quilômetros. A falta de controle sobre a trajetória dos detritos espaciais tem gerado tensões em áreas como o Mar do Sul da China, onde autoridades encontraram 13 peças de foguetes chineses nas Filipinas nos últimos quatro anos. Como resultado, as autoridades locais têm aconselhado pescadores a evitar determinadas áreas durante os lançamentos.
Recentes incidentes têm mostrado que as previsões das empresas sobre a desintegração de seus equipamentos nem sempre correspondem à realidade. A SpaceX, por exemplo, havia afirmado que seus satélites seriam totalmente destruídos ao reentrar na atmosfera, mas fragmentos foram encontrados em uma fazenda no Canadá e próximo a um shopping na Polônia. Atualmente, a empresa admite que cerca de 5% da massa de alguns de seus equipamentos pode não se desintegrar completamente.
Fonte: D24AM