Calor extremo faz França desligar reatores nucleares; entenda o impacto
A onda de calor recorde na França leva à paralisação de reatores nucleares para proteger ecossistemas. A temperatura nos rios superou limites seguros, forçando medidas da EDF.

A França enfrenta uma onda de calor sem precedentes, cujos efeitos vão além da saúde da população. A empresa estatal de energia EDF tomou a decisão de desligar temporariamente três reatores nucleares e reduzir a produção em outras usinas para evitar que o descarte de água aquecida comprometa os ecossistemas fluviais.
No último dia 25, dois reatores foram retirados de operação: um na usina de Nogent-sur-Seine, às margens do rio Sena, ao norte de Paris, e outro na usina de Bugey, localizada no rio Ródano, perto de Lyon. As paradas se tornaram necessárias devido ao aumento da temperatura das águas, que ultrapassou os limites considerados seguros para o meio ambiente.
Em dias anteriores, um reator da usina de Golfech, no sudoeste da França, também foi desligado pelo mesmo motivo. Essa decisão reflete uma medida preventiva em meio à grave onda de calor que atinge o país, que no último dia 23 registrou sua temperatura mais alta em quase 80 anos, alcançando 44,3ºC na cidade de Pissos.
As usinas nucleares dependem da água dos rios para resfriar seus reatores antes de devolver essa água ao meio aquático. Durante períodos de calor intenso, a temperatura dos rios naturalmente aumenta, e a legislação francesa estabelece limites rigorosos para a temperatura da água devolvida, exigindo que a EDF reduza ou pare a geração de energia quando esses níveis são excedidos.
A EDF já havia iniciado a redução da produção em um dos reatores de Nogent-sur-Seine para limitar o impacto da temperatura da água no rio Sena. A empresa comunicou, através da rede social X, que novas reduções ou desligamentos poderão ocorrer para garantir o cumprimento das normas ambientais. Apesar das paralisações, a operadora da rede elétrica francesa, RTE, assegurou que o sistema elétrico do país possui capacidade suficiente para atender à demanda, mesmo com a interrupção de algumas usinas.
Enquanto isso, a onda de calor persiste, e mais da metade dos 96 departamentos franceses está em alerta vermelho devido ao risco à vida. As autoridades recomendam que a população evite a exposição direta ao sol e mantenha uma “vigilância absoluta”. O fenômeno também afeta outros países europeus, como Alemanha, Espanha, Portugal e Suíça, que enfrentam situações semelhantes, com centenas de escolas fechadas e restrições nos serviços ferroviários em grandes cidades.
Fonte: D24AM