Camarões revelam contaminação por garimpo ilegal no Amapá
Pesquisadores analisam camarões para mapear a contaminação por metais pesados no Amapá, evidenciando o impacto do garimpo ilegal na região.

A escolha dos camarões para a pesquisa foi feita de forma estratégica, pois esses crustáceos são fáceis de capturar e têm a capacidade de absorver diferentes tipos de contaminação. Os materiais coletados dos tecidos e da carapaça dos camarões estão sendo analisados no laboratório da Universidade do Estado do Amapá (Ueap).
O biólogo Jefferson Romário afirmou que a análise dos tecidos dos camarões, que são sensíveis a poluentes, permite calcular a quantidade de metais pesados presentes e mapear a rota da contaminação. Os pesquisadores têm coletado amostras em diversos pontos dos rios do Amapá, revelando o impacto ambiental causado pelo garimpo ilegal na região.
Os camarões possuem um elevado poder de bioacumulação, o que significa que qualquer contaminante presente na água pode ser absorvido por eles, permanecendo tanto nos tecidos quanto na carapaça. De acordo com Romário, por meio de experimentos específicos, é possível quantificar esses contaminantes e analisar a histologia dos animais, identificando os efeitos em nível laboratorial.
Os resultados das análises mostraram uma alta concentração de metais pesados nos camarões, considerando o tamanho desses organismos. Isso representa um alerta para o risco de consumo por comunidades ribeirinhas, pois à medida que mais camarões são ingeridos, ocorre um acúmulo desses contaminantes no organismo humano.
Atualmente, os pesquisadores conseguem observar que os rios do Amapá estão contaminados, evidenciando a forte pressão antrópica. O estudo visa identificar áreas contaminadas e estimular políticas públicas no Amapá. A pesquisa é uma colaboração entre a Ueap e a Universidade Federal do Amapá (Unifap). A Polícia Federal já realizou três operações contra o garimpo ilegal na região, com foco em áreas como o Santuário das Árvores Gigantes e o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque.
Fonte: Portal Amazônia