Casos de leishmaniose no Amazonas aumentam 19,75% até agosto de 2023
O Amazonas registrou aumento de 19,75% nos casos de leishmaniose até 17 de agosto de 2023, com orientações sobre prevenção e sintomas das formas tegumentar e visceral.

O Amazonas registrou um aumento de 19,75% nos casos de leishmaniose entre janeiro e 17 de agosto de 2023, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP). No período, foram contabilizados 473 casos da doença, contra 395 registrados no mesmo período de 2025.
Transmitida pela picada do mosquito-palha infectado, a leishmaniose é uma doença infecciosa. No Amazonas, a forma mais registrada, segundo a FVS-RCP, é a Leishmaniose Tegumentar, que provoca feridas na pele.
De acordo com a médica de Família e Comunidade, Karina Paiva, as condições ambientais da região amazônica podem favorecer o ciclo do vetor, especialmente quando associadas às alterações climáticas. “O ciclo de vida do inseto dura, em média, de 30 a 45 dias e depende diretamente de temperatura, umidade e disponibilidade de matéria orgânica no ambiente. Com o aumento das temperaturas, esse ciclo tende a se completar mais rápido, permitindo mais gerações do vetor por ano e uma janela de atividade mais longa”, explica.
A médica destaca que a leishmaniose já é altamente endêmica na Amazônia e está ligada ao desmatamento e à expansão da fronteira agrícola, que colocam pessoas em contato direto com o ambiente de mata onde o vetor vive. A mudança climática tende a aumentar a intensidade da transmissão em áreas já afetadas e criar condições favoráveis em regiões próximas com baixa transmissão.
A forma tegumentar é a mais comum e costuma provocar uma ferida na pele, geralmente indolor, com bordas elevadas e bem delimitadas, que pode surgir até duas semanas após a picada e, em casos raros, atingir mucosas. Já a leishmaniose visceral, conhecida como calazar, é uma forma mais grave que pode causar febre prolongada, fraqueza, emagrecimento e aumento do volume abdominal devido ao crescimento do fígado e do baço. Crianças, gestantes, pessoas desnutridas ou imunossuprimidas exigem atenção especial.
Para reduzir o risco de transmissão, Karina Paiva recomenda o uso de repelente nas áreas expostas, principalmente entre o fim da tarde e o amanhecer, além de roupas de manga comprida durante a permanência em áreas de mata ou rurais. Ela orienta também o uso de mosquiteiros de malha fina e instalação de telas em portas e janelas, além de evitar locais com acúmulo de folhas e matéria orgânica em decomposição e manter quintais, terrenos e abrigos de animais limpos.
A prevenção depende ainda de ações ambientais e comunitárias, como a limpeza periódica dos terrenos, poda de árvores e manutenção dos espaços onde ficam animais domésticos. É importante evitar, quando possível, a construção de moradias próximas à borda da mata, participar das ações de vigilância das secretarias de saúde e buscar atendimento diante de sintomas suspeitos. O diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para reduzir complicações e estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde.
Fonte: D24AM