Como se Proteger e Denunciar Violência Digital Contra Mulheres
No Brasil, 10% das mulheres com mais de 16 anos já enfrentaram violência digital. Conheça formas de se proteger e denunciar esses crimes.

De acordo com a ONU Mulheres, 38% das mulheres em todo o mundo já foram vítimas de violência pela internet, que inclui a divulgação de imagens íntimas sem consentimento, ameaças e sextorsão. No Brasil, uma pesquisa do Data Senado revelou que uma em cada dez brasileiras com mais de 16 anos sofreu algum tipo de violência digital no último ano, o que representa quase 9 milhões de mulheres afetadas.
É fundamental que as mulheres aprendam a se proteger no ambiente digital. Algumas dicas incluem cuidar das senhas, ativar a verificação em duas etapas e restringir a visibilidade de fotos. No entanto, em casos onde a imagem é alterada por deepfake sem o conhecimento da vítima, é essencial registrar um Boletim de Ocorrência, pois a polícia pode rastrear a origem das imagens, conforme explicou o advogado Júlio Leone.
Contrariando a ideia de que a internet é um espaço sem regras, Leone afirmou que é possível rastrear dados como IP e localização do agressor digital. Com a tecnologia atual, a polícia, através de serviços de TI e inteligência, pode realizar varreduras eficazes para localizar o infrator, garantindo que a justiça tenha as informações necessárias para proteger a vítima.
A professora Maria Beatriz Nader, da Universidade Federal do Espírito Santo, ressaltou que a responsabilidade nunca deve ser colocada sobre a vítima. Mostrar fotos de viagens e momentos felizes na internet é normal; o problema surge quando essas imagens são usadas de forma equivocada para agredir. Há leis no Brasil que punem essa prática, e a mais recente, que entrou em vigor em julho, responsabiliza provedores de internet pela remoção de conteúdos nocivos.
Os especialistas recomendam que as mulheres fiquem atentas a sinais de desconforto e denunciem qualquer situação suspeita. A ativista Karla Souza mencionou a ferramenta Clara IA, desenvolvida em Recife, que identifica padrões de comportamento feminino antes de uma agressão. Para denunciar, as vítimas podem ligar para o número 180, salvando todas as provas como prints e links. É importante não responder ao agressor e buscar uma rede de apoio feminina, além de registrar um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher se necessário.
Fonte: D24AM