Cemitério de Manaus se transforma em cinema para discutir feminicídio
O Cemitério São João Batista realiza, nesta sexta-feira (15), exibições de filmes que abordam a violência de gênero no Amazonas, com entrada solidária.

Na noite desta sexta-feira, 15 de setembro, o Cemitério São João Batista, situado na zona centro-sul de Manaus, se tornará um espaço inusitado para a sétima arte. A partir das 20h, o local receberá a exibição de dois filmes do diretor Cleinaldo Marinho, que abordam casos históricos de violência contra mulheres no estado do Amazonas.
A entrada para a exibição é solidária e será feita por meio da doação de 1 kg de alimento não perecível. A programação inclui a estreia do docudrama “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia” e uma sessão especial de “Ária – Fazendo a Vida Viver”. A escolha do cemitério como local não é acidental, pois a estrutura de exibição foi montada em uma área que se conecta diretamente com a memória das personagens retratadas nos filmes.
O documentário “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia” destaca a história de Etelvina de Alencar, uma jovem assassinada em 1901 na antiga Colônia Campos Sales, atualmente conhecida como bairro Santa Etelvina, localizado na Zona Norte de Manaus. O filme não apenas reconta o crime, mas também investiga a transformação da vítima em um ícone de devoção e fé popular ao longo das décadas.
Parte das filmagens ocorreu durante os Dias de Finados de 2024 e 2025, dentro do próprio cemitério, onde mais de 60 pessoas foram entrevistadas, gerando aproximadamente 120 horas de material bruto. O roteiro do documentário combina encenações ficcionais, com a atriz Rosana Neves interpretando o papel principal, a pesquisas aprofundadas realizadas no Tribunal de Justiça, na Biblioteca Estadual e na Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
O projeto foi viabilizado com recursos do Governo Federal, sendo contemplado pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, através da Concultura. A abertura da programação contará com “Ária – Fazendo a Vida Viver”, um filme que já foi apresentado no Teatro Amazonas e narra a vida trágica de Ária Ramos, uma musicista promissora da Manaus da Belle Époque, que também foi vítima da violência de gênero. Ambos os filmes fazem parte de uma iniciativa de Cleinaldo Marinho para resgatar histórias femininas que foram apagadas ou marginalizadas na história oficial do Amazonas, servindo como um manifesto contra o feminicídio estrutural.
Fonte: D24AM