Cientista alerta sobre esgotamento dos recursos naturais e pede mudança econômica
Paulo Artaxo afirma que a humanidade esgotou recursos naturais e que o Brasil é vulnerável às mudanças climáticas, exigindo uma nova governança mundial.

O renomado cientista e físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), declarou que a humanidade alcançou o esgotamento dos recursos naturais do planeta, alertando que o Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas. Sua afirmação foi feita durante o Fórum Especial "Diálogos para o futuro: professores eméritos e Honoris Causa frente aos desafios socioambientais", onde discutiu a crise ambiental atual.
Artaxo ressaltou que para superar essa crise é essencial uma nova governança global, baseada nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). O evento, que contou com a presença de várias autoridades acadêmicas e governamentais, teve como foco os desafios enfrentados na construção de um futuro sustentável.
Durante sua fala, o cientista destacou que as previsões do painel intergovernamental de mudanças climáticas indicam um aumento médio de temperatura de 2.8º C no planeta. Ele explicou que, como a Terra é composta por 75% de oceanos, as áreas continentais podem aquecer entre 3.5º C e 4.7º C, o que terá sérios impactos na economia e na saúde da população.
Artaxo enfatizou que o aumento de temperatura em regiões como Cuiabá ou Teresina terá um efeito muito mais drástico do que em cidades como Estocolmo ou Moscou. Ele alertou que a aridez crescente no Brasil Central e no Nordeste comprometerá a segurança hídrica e a produtividade agrícola, deixando milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade sem apoio adequado.
Por fim, ele concluiu que a sociedade precisa se adaptar e mudar sua estrutura econômica, indo além da simples eliminação da exploração de combustíveis fósseis. Para isso, será necessário desenvolver soluções locais específicas, considerando que cada região, como Manaus e Caxias do Sul, apresenta suas particularidades e desafios únicos.
Fonte: Portal Amazônia