Cimento inovador feito de fezes humanas promete maior resistência
Pesquisadores desenvolveram um cimento a partir de fezes humanas, resultando em concreto até 42% mais resistente e sustentável. O estudo foi publicado na revista Scientific Reports.

Nos Estados Unidos, cientistas conseguiram desenvolver um novo tipo de cimento utilizando fezes humanas, com resultados que mostram um aumento de resistência de até 42% no concreto produzido. Este avanço não apenas melhora a durabilidade do material, mas também traz benefícios em termos de sustentabilidade, uma vez que utiliza um recurso biológico amplamente disponível.
O estudo foi conduzido por uma equipe liderada pelos professores Raghuvesh Tiwari e Priyansha Mehra, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Manipal, localizada em Jaipu, na Índia. Os pesquisadores focaram no lodo fecal humano coletado de estações de tratamento, que lidam com resíduos de latrinas e banheiros públicos, sistemas que não estão conectados às redes de esgoto convencionais.
O processo de fabricação do cimento tradicional envolve o aquecimento do calcário, uma prática que é uma das principais fontes de emissões de dióxido de carbono no mundo. Ao utilizar o biochar, um material derivado de excrementos humanos, os cientistas esperam reduzir significativamente essas emissões e, consequentemente, o impacto do aquecimento global.
No procedimento, as fezes foram submetidas a temperaturas entre 350°C e 450°C, que são consideravelmente mais baixas do que as necessárias para a produção de cimento convencional. O material resultante foi utilizado para criar um concreto personalizado, que normalmente combina areia, cascalho e cimento em proporções rigorosas, essenciais para a resistência do produto final.
Os testes realizados mostraram que uma mistura contendo 10% de biochar resultou em um aumento de 21% na resistência inicial e 42% na resistência final do concreto. Os pesquisadores atribuem essa eficácia à porosidade do biochar, que absorve e libera água ao longo do tempo, promovendo um endurecimento mais eficiente do concreto. Estudos adicionais serão necessários para avaliar o desempenho desse material em condições reais, como em ciclos de congelamento e descongelamento, salinidade e temperaturas extremas.
Fonte: D24AM