Estudo revela importância da natureza na vida da comunidade pesqueira de Jubim
Pesquisa em Jubim, no Pará, destaca 73 espécies essenciais para a subsistência e cultura local, mapeando a relação da comunidade com seu território.

Através de diversas metodologias, como workshops e entrevistas, um estudo realizado em coautoria com moradores da vila pesqueira de Jubim, no Pará, identificou 73 espécies de plantas e animais que sustentam práticas de alimentação, medicina e artesanato. Além disso, a pesquisa georreferenciou 65 locais que possuem importância cultural e simbólica para a comunidade, ressaltando a conexão entre natureza e modos de vida.
O projeto, que se estende de 2022 a 2025, é conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e se insere em um contexto de expansão de grandes empreendimentos na região, como portos e ferrovias. Os resultados foram divulgados na revista People and Nature em 10 de setembro e mostram que a relação da comunidade com o território vai além do uso material, tocando aspectos de identidade, cultura e espiritualidade.
A metodologia da pesquisa incluiu dois workshops onde moradores de diferentes idades identificaram áreas de interação com a natureza, como zonas de pesca e agricultura. Em um segundo encontro, 32 participantes destacaram valores culturais relacionados ao uso dos recursos, utilizando fotografias para redesenhar mapas que representam locais significativos para a comunidade.
Com base nas informações coletadas, os moradores apontaram 73 espécies locais que são essenciais para várias práticas, como a pesca artesanal e a produção de farinha de mandioca. Lara Sartorio, pesquisadora da Unifesp, enfatiza que esse levantamento revela a ampla sociobiodiversidade observada pelos moradores, que é fundamental para a sua existência e identidade.
O conceito de maretório, que une mar e território, é crucial para entender a organização social da comunidade de Jubim, que conta com pouco mais de dois mil habitantes. Jezimara da Silva Vinhas, moradora e graduanda em Ciências Biológicas, destaca a profunda ligação entre a natureza e a vida comunitária, enfatizando que viver em Jubim é entender que não estão separados da natureza, mas são parte dela. O trabalho de mapeamento participativo não só fortalece a autonomia da comunidade, mas também contribui para discussões sobre governança e mudanças climáticas em outras áreas costeiras.
Fonte: Portal Amazônia