Combate a Incêndios é Essencial para Reduzir Emissões de Metano, Afirma SEEG
Relatório do SEEG destaca a importância do combate a incêndios florestais para a redução de emissões de metano, um gás com potencial de aquecimento superior ao CO2.

O novo caderno de soluções do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases do Efeito Estufa (SEEG), divulgado em 18 de agosto, ressalta que o combate a incêndios florestais é o principal método para diminuir as emissões de metano no setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas, que está associado ao fogo e ao desmatamento.
O metano é um gás do efeito estufa que possui um potencial de aquecimento cerca de 28 vezes superior ao do gás carbônico. Em 2024, as queimadas ligadas ao desmatamento resultaram em emissões de 1,14 milhões de toneladas de metano, representando aproximadamente 6% do total de 21 milhões de toneladas emitidas naquele ano.
É importante destacar que a agropecuária concentra a maior parte das emissões, cerca de 75%, principalmente devido à criação de gado. No entanto, as emissões de metano provenientes exclusivamente de incêndios na vegetação nativa ainda não são contabilizadas nos inventários oficiais, gerando uma lacuna nas estatísticas.
O SEEG também apresenta um cálculo adicional que estima que as emissões não contabilizadas somam mais 1,01 milhões de toneladas de metano emitidas em 2024. O Brasil ocupa a posição de quarto maior emissor de metano do mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos e Índia, conforme dados do ClimateWatch.
Na COP26, realizada em Glasgow em 2021, o Brasil comprometeu-se a reduzir as emissões de metano em 30% até 2030. Segundo Bárbara Zimbres, pesquisadora do IPAM, as metas de redução de metano são cruciais no combate às mudanças climáticas, pois, apesar de terem um alto potencial de aquecimento, têm uma meia-vida mais curta na atmosfera, permitindo ações rápidas e eficazes.
O caderno do SEEG apresenta 37 soluções, com cinco focadas nas Mudanças de Uso da Terra e Florestas, incluindo a redução do desmatamento e a prevenção de incêndios. A expectativa é que a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo promova a colaboração entre diferentes níveis de governo para uma gestão eficaz do fogo.
Diante da previsão de um El Niño forte, o risco de incêndios na Amazônia aumenta, pois esse fenômeno tende a deixar a região mais seca. Zimbres enfatiza que este é um momento propício para implementar ações que ajudem a prevenir incêndios, especialmente após os eventos devastadores de 2024.
Fonte: Portal Amazônia