Conferência em Santa Marta pode redefinir o futuro dos combustíveis fósseis
Um encontro histórico em Santa Marta, Colômbia, reúne 57 países para discutir a transição dos combustíveis fósseis. A conferência visa acelerar mudanças climáticas e energéticas globais.

A 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, realizada em Santa Marta, Colômbia, esta semana, marca um passo significativo na agenda climática global. Com a participação de 57 países, que representam um terço da economia mundial, o evento se concentrou em discutir não apenas a necessidade de abandonar os combustíveis fósseis, mas as estratégias para essa transição. O cientista climático Johan Rockström, ao se dirigir aos delegados, destacou: “Vocês são a luz em um túnel de escuridão”.
O interesse pela conferência foi notável, com a presença de 146 jornalistas de 61 veículos de 28 países. A cobertura da mídia foi amplamente positiva, conforme afirmaram os governos da Colômbia e dos Países Baixos, coorganizadores do evento. Esse encontro representou uma mudança de paradigma, considerando que as cúpulas climáticas da ONU frequentemente negligenciavam o tema dos combustíveis fósseis nos últimos anos.
Um dos pontos altos da conferência foi a declaração do diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, que afirmou que a guerra no Irã quebrou permanentemente os mercados de combustíveis fósseis. Ele indicou que a interrupção no fornecimento de petróleo e gás, juntamente com o aumento dos preços, pode forçar os países a adotarem fontes de energia renováveis. “O dano está feito”, disse Birol, cuja agência é considerada influente nos planos de longo prazo do setor energético.
A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, elogiou a visão de Birol, ressaltando que os combustíveis fósseis não garantem segurança energética devido à sua vulnerabilidade à escassez. A conferência, que ocorreu à margem do processo da ONU, não visava a criação de um acordo legal, mas sim promover o aprendizado entre diferentes setores sobre como desvincular sociedades e economias dos combustíveis fósseis.
Os roteiros apresentados pelos países terão caráter voluntário e serão adaptados às suas realidades. A França, por exemplo, apresentou um plano para eliminar o carvão até 2027 e o uso de petróleo até 2045. A conversa também incluiu iniciativas do setor privado, como uma mesa-redonda organizada pela BYD e pela Fortescue, que enfatizou a importância de buscar emissões de “zero real”. O evento em Santa Marta pode ser um marco na luta contra as mudanças climáticas, com uma conferência de acompanhamento prevista para fevereiro de 2027, liderada por Tuvalu e copatrocinada pela Irlanda.
Fonte: Portal Amazônia