COP17 ignora impactos sociais da desertificação e gera preocupação
A COP17 em Ulaanbaatar exclui temas sociais da agenda, gerando descontentamento entre organizações. Comunidades locais clamam por inclusão nas decisões sobre desertificação.

MONGÓLIA – Nos primeiros dias da COP17 (17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação), realizada em Ulaanbaatar, Mongólia, organizações sociais expressaram sua decepção com a exclusão de temas essenciais da agenda oficial. Questões relacionadas a gênero e participação social foram deixadas de lado, levando à insatisfação entre os representantes da sociedade civil.
O Civil Society Organization Panel, que congrega aproximadamente 1,2 mil organizações globais, manifestou sua rejeição ao documento oficial, afirmando que a comunidade está "chocada e profundamente preocupada". A análise sugere que os governos optaram por concentrar suas discussões em tópicos técnicos e econômicos, ignorando os impactos sociais significativos da desertificação e da seca.
Essa abordagem pode resultar em um desfecho tecnocrático para a COP17, desconectado das realidades enfrentadas pelas populações que lidam diariamente com os desafios da degradação do solo. O CSO Panel destaca que comunidades locais, incluindo povos indígenas, agricultores, pastores, mulheres e jovens, possuem conhecimento e experiência essenciais para enfrentar esses problemas.
As organizações presentes no evento ressaltaram que as decisões devem ser tomadas de forma coletiva, envolvendo não apenas políticos e cientistas, mas também as vozes de quem é diretamente afetado. Além disso, o texto oficial da conferência não apresenta estratégias para uma integração mais eficaz das três convenções da ONU sobre meio ambiente: a Convenção de Combate à Desertificação (UNCCD), a Convenção sobre Biodiversidade (CBD) e a Convenção do Clima (UNFCCC).
Essas convenções, que surgiram após a Rio 92, são fundamentais para abordar de maneira interligada as crises climáticas, de biodiversidade e de degradação do solo. Durante a COP30 do ano passado, líderes das três convenções assinaram a Declaração Conjunta de Belém, enfatizando a necessidade de tratar esses temas de forma integrada para promover o desenvolvimento sustentável e a eficácia das ações de proteção ambiental.
Fonte: Amazonas Atual