Copaíba, mastruz e outras plantas medicinais da Amazônia: usos e cuidados
Copaíba, mastruz, jambu e outras plantas medicinais da Amazônia têm usos terapêuticos reconhecidos, mas exigem preparo e consumo adequados, segundo especialista da Unir.

As plantas medicinais da Amazônia, como copaíba, andiroba, unha-de-gato, jambu, espinheira-santa, capim-santo e mastruz, são amplamente utilizadas na medicina popular e têm despertado o interesse da ciência devido aos seus compostos naturais com potencial terapêutico. Segundo a doutora em Botânica e professora da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Osvanda Silva de Moura, essas espécies possuem substâncias ativas capazes de produzir efeitos no organismo humano, sendo empregadas tanto na medicina tradicional quanto na produção de fitoterápicos.
Osvanda explica que as propriedades dessas plantas vêm dos princípios ativos, compostos químicos produzidos pelo metabolismo da planta, que ao entrarem em contato com o organismo humano podem promover efeitos analgésicos, anti-inflamatórios, calmantes, diuréticos, entre outros. A copaíba, por exemplo, tem óleo rico em sesquiterpenos e diterpenos, associados ao tratamento de inflamações, infecções e processos de cicatrização. Estudos realizados por universidades brasileiras já demonstraram atividades anti-inflamatórias, antioxidantes, cicatrizantes e antimicrobianas relacionadas à espécie.
O açaí, além de alimento, possui propriedades terapêuticas investigadas pela ciência, com pelo menos 89 usos descritos em estudos científicos, incluindo aplicações na medicina humana e veterinária, ação antioxidante e potenciais benefícios para os sistemas sanguíneo, cardiovascular, digestivo e urinário. A andiroba é conhecida pelo óleo utilizado para aliviar dores musculares, contusões, inchaços e desconfortos associados ao reumatismo, além de contribuir para a regeneração da pele ao estimular a produção de colágeno. O uso do óleo de andiroba deve ser tópico, pois a ingestão pode causar prejuízos ao estômago e ao fígado.
A unha-de-gato é utilizada para aliviar dores articulares, combater infecções e fortalecer o sistema imunológico, estimulando a produção de glóbulos brancos e protegendo as células contra danos oxidativos. O consumo, geralmente por meio de chá, não é recomendado para gestantes, lactantes, pessoas com doenças autoimunes ou pacientes transplantados. O jambu, conhecido pela sensação de dormência na boca causada pelo espilantol, pode auxiliar no alívio de dores de dente, gengivite e problemas digestivos, além de ter potencial anti-inflamatório. A espinheira-santa é procurada para auxiliar no tratamento da gastrite devido à sua ação gastroprotetora.
O capim-santo, geralmente consumido em chá, apresenta efeito calmante e analgésico, podendo auxiliar no combate à insônia e à ansiedade. O mastruz possui ação vermífuga, anti-inflamatória, expectorante e cicatrizante, sendo usado como remédio caseiro para sintomas respiratórios. Osvanda destaca que o preparo correto das plantas varia conforme a parte utilizada: folhas e flores devem ser preparadas por infusão, enquanto raízes e cascas por decocção. Ela recomenda coletar plantas apenas em locais livres de contaminação, observar sinais de fungos ou insetos, secar logo após a colheita e armazenar em potes de vidro escuro, com tampa hermética, em local fresco e protegido da luz. Panelas de alumínio devem ser evitadas no preparo. O uso de plantas medicinais integra políticas públicas brasileiras desde 2006, mas a orientação é informar ao médico ou farmacêutico sobre o uso dessas espécies, especialmente em casos de doenças crônicas, e adquirir produtos em locais confiáveis.
Fonte: Portal Amazônia