Cremam critica Enamed como insuficiente para garantir qualidade médica
O Cremam aponta que o Enamed não é eficaz para assegurar a qualidade na formação médica no Brasil, destacando suas limitações na avaliação de habilidades essenciais.

MANAUS – O Cremam (Conselho Regional de Medicina do Amazonas) expressou sua preocupação quanto à eficácia do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) em melhorar a qualidade dos serviços de saúde no país. A prova, que consiste em 100 questões objetivas, se tornou um requisito para o registro profissional após a publicação da Medida Provisória 1.370/2026 no dia 19 de junho.
A tesoureira e coordenadora da Comissão de Ensino Médico do Cremam, Karla Petrucelli Israel, afirmou que o exame "deixa a desejar no critério de avaliação de algumas habilidades que são necessárias ao exercício da prática médica, como habilidades clínicas e conduta ética". Segundo ela, o Enamed não consegue garantir a qualidade do médico formado, uma vez que muitos candidatos obtiveram notas baixas, como 1.
O Enamed substitui o Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), que avalia alunos de outras áreas a cada dois anos. Para os estudantes de medicina, a prova será aplicada em duas etapas: a primeira ao final do quarto ano, antes do internato, e a segunda no sexto ano. Cursos com baixo desempenho na segunda fase serão supervisionados pelo Ministério da Educação.
O conselheiro do CFM (Conselho Federal de Medicina), Ademar Carlos Augusto, criticou a inclusão do Enamed como critério para a residência médica, afirmando que essa abordagem é generalista e irresponsável. Ele enfatizou que o CFM está buscando a aprovação do Projeto de Lei Nº 2.294/2024, que propõe a criação do ProfiMed, um exame que avalia competências profissionais e éticas.
Embora o Enamed possa ajudar a identificar falhas na formação, a médica e professora Fabíola Oliveira ressalta que a qualidade da educação médica envolve diversos fatores, como instituições comprometidas e professores qualificados. Ela argumenta que o foco deve ser a formação de médicos capacitados, e não apenas a preparação para uma prova, ressaltando que a prática médica exige muito mais do que o que um exame pode avaliar.
Fonte: Amazonas Atual