Crescimento da Direita na Amazônia Impacta Políticas Públicas e Sociais
Aumento da representação do PL na Amazônia reflete avanço da direita. O crescimento nas assembleias e no Senado poderá influenciar políticas públicas regionais.

MANAUS – A representação do Partido Liberal (PL) nas assembleias legislativas dos nove estados da Amazônia Legal cresceu significativamente, passando de 24 para 43 deputados eleitos para o mandato de 2027 a 2035. O destaque desse aumento foi em Rondônia, que ganhou cinco novos representantes, seguido por Roraima e Pará, que terão quatro deputados a mais em suas assembleias.
Além do fortalecimento nas assembleias, o PL também se destacou no Senado, onde elegeu seis senadores na região amazônica: dois de Rondônia e um de cada um dos estados de Roraima, Acre, Mato Grosso e Tocantins. Com isso, o partido agora possui 28 cadeiras no Senado e 121 na Câmara dos Deputados, evidenciando o crescimento de uma agenda política alinhada à direita brasileira.
O PL, partido associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que é candidato à Presidência em 2026, defende propostas de liberalismo econômico e menor intervenção do Estado na economia. Além disso, o partido promove pautas que incluem a ampliação do acesso a armas e a exploração de recursos naturais, refletindo uma postura de extrema direita que pode impactar diversas áreas sociais e ambientais na Amazônia.
Analistas políticos, como Marcelo Seráfico da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), apontam que a ascensão da direita na região se deve a diversos fatores, incluindo a influência de igrejas e redes sociais. Ele observa que, apesar do crescimento, não se pode afirmar que isso represente uma mudança ideológica clara entre os eleitores amazônicos, citando que em estados como Amazonas e Pará, o presidente Lula obteve mais votos que seu adversário direto.
Com a predominância de partidos de direita, a formulação de políticas públicas pode ser severamente afetada, especialmente em áreas como educação e saúde. Seráfico ressalta a falta de atenção em questões como a distribuição de riqueza e a proteção ao meio ambiente, alertando que as novas direitas podem levar a um retrocesso em conquistas sociais. O professor Ermício Sena, da UFAC, destaca a importância de respeitar a Constituição e os direitos sociais, alertando sobre o perigo de tratar adversários políticos como inimigos.
Fonte: Amazonas Atual