Crescimento das Ações de Equidade Racial Fortalece Inclusão nas Escolas
Estudo do MEC revela aumento nas ações de formação sobre equidade racial nas escolas, com 69,2% das redes municipais promovendo iniciativas de inclusão até 2026.

Brasília - O Diagnóstico de Equidade Racial de 2026, elaborado pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação (MEC), apresenta resultados positivos na luta contra as desigualdades étnico-raciais nas instituições de ensino. O documento destaca um aumento significativo nas ações de formação voltadas à equidade racial, refletindo um compromisso crescente das escolas com a inclusão.
Os dados mostram que o percentual de redes municipais que ofereceram formações, seminários, oficinas e palestras sobre equidade racial subiu de 48,1% em 2024 para 69,2% em 2026. Essa elevação de 21,1 pontos percentuais nas iniciativas de Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer) demonstra um avanço importante na promoção da diversidade e na redução das desigualdades no ambiente escolar.
O Diagnóstico Equidade mapeia a implementação da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq). Essa política regulamenta a Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas, e foi ampliada pela Lei nº 11.645/2008, que incluía a temática indígena.
O ensino das culturas afro-brasileira, africana e indígena é essencial para conectar o aprendizado às vivências e identidades culturais dos alunos, tornando o processo educativo mais significativo. A presença de referências culturais diversas nas salas de aula não só enriquece o conhecimento, mas também incentiva a identificação dos estudantes com suas próprias histórias e experiências.
Além disso, o Protocolo de Identificação e Resposta ao Racismo foi disponibilizado para apoiar as instituições de ensino na implementação de ações que combatam o racismo. A Pneerq, portanto, busca implementar programas educacionais que superem as desigualdades étnico-raciais e promovam a inclusão da população quilombola nas redes de ensino. A aplicação da Pneerq também é fundamental para que as escolas públicas possam acessar o Valor Aluno Ano por Resultado (VAAR), um complemento financeiro que incentiva a melhoria dos indicadores de educação.
A amazonense Lorena Castro, mulher negra e economista formada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), compartilha sua experiência de enfrentamento ao racismo durante a educação básica. Aos 30 anos, ela relembra como o ambiente escolar muitas vezes se tornou um espaço de exclusão, onde a cor da pele definia o lugar do aluno. Lorena acredita que o avanço das políticas de equidade no ensino básico é crucial para que mais pessoas negras possam conquistar oportunidades e ocupar espaços de maior prestígio na sociedade.
Fonte: D24AM