Crescimento do garimpo na Amazônia atinge 562% e afeta Terras Indígenas
Um estudo do IPAM mostra que o garimpo ilegal em Terras Indígenas aumentou 562% entre 2016 e 2024, expondo essas áreas a riscos climáticos graves, especialmente durante o El Niño.

Uma análise realizada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) revelou um alarmante crescimento de 562% na área ocupada pelo garimpo ilegal nas Terras Indígenas (TIs) da Amazônia entre 2016 e 2024. Esse avanço tem tornado esses territórios ainda mais vulneráveis à mineração ilegal e aos impactos climáticos, especialmente durante eventos extremos como o fenômeno El Niño.
A nota técnica, intitulada Entre conquistas e riscos compostos: por que o futuro ancestral da Amazônia está ameaçado, divulgada no dia 15 de setembro, aponta que as comunidades indígenas que habitam essas áreas estão cada vez mais expostas a desastres climáticos, como secas severas e ondas de calor. Essas condições climáticas têm um efeito devastador sobre a saúde, a segurança alimentar e os modos de vida das populações locais.
Entre 1985 e 2024, a área afetada pelo garimpo na Amazônia Legal aumentou 20 vezes, enquanto dentro das terras indígenas o crescimento foi ainda mais acentuado, atingindo 24 vezes. Durante esse período, a área contaminada por atividades de garimpo aumentou de aproximadamente 1,5 mil hectares para mais de 36 mil hectares, o que representa um risco crescente para as comunidades indígenas.
O estudo também revela que, embora 19 terras indígenas tenham garimpo em seu interior, 147 TIs, cerca de 37% do total na Amazônia, estão localizadas em bacias hidrográficas afetadas pela atividade. A contaminação por mercúrio, que ocorre principalmente ao longo dos rios, pode afetar comunidades distantes do garimpo, comprometendo recursos hídricos essenciais para a alimentação e práticas culturais.
Os pesquisadores destacam que é fundamental adotar medidas integradas para enfrentar os riscos compostos associados ao garimpo e aos desastres climáticos. Eles recomendam a implementação de Planos de Adaptação Indígenas, a proteção territorial e o fortalecimento da fiscalização das atividades de mineração, bem como a priorização de políticas públicas que considerem as perdas e danos enfrentados pelas comunidades indígenas.
Fonte: Portal Amazônia