Cris Caldas, porta-bandeira da Tijuca, revela abuso em relacionamento
A bailarina Cris Caldas compartilha sua experiência de 10 anos em um relacionamento abusivo, destacando a importância da denúncia e da independência feminina.

Rio de Janeiro - Em um relato poderoso e comovente, a bailarina Cris Caldas, atual porta-bandeira da Unidos da Tijuca, decidiu romper o silêncio sobre os abusos que enfrentou ao longo de uma união de dez anos. Durante uma entrevista ao programa Religare, da Alerj, exibida nesta segunda-feira (12), Cris revelou os detalhes de um relacionamento repleto de violência física e psicológica.
A artista contou que o comportamento do parceiro sofreu uma transformação drástica após os dois primeiros anos de convivência. O que começou com empurrões rapidamente escalou para um cenário aterrorizante, onde as agressões se tornaram frequentes e brutais. "Começou com um empurrão, depois agressões, chutes, cuspe na cara. Até que um dia ele deformou o meu rosto com um soco", desabafou Cris.
Na época, enquanto defendia as cores da União da Ilha do Governador, Cris se viu obrigada a conciliar sua dor interna com o brilho do Carnaval. Ela utilizou estratégias desesperadas para ocultar as marcas dos abusos, como maquiagem pesada para disfarçar hematomas e roupas de mangas longas para esconder as agressões visíveis. Chegou até a inventar desculpas, alegando que havia sido picada por um inseto, para justificar o inchaço em seu rosto durante uma transmissão ao vivo.
O agressor se aproveitava da posição de Cris no Carnaval como uma forma de controle, ameaçando que ela seria banida da folia caso decidisse deixá-lo. No entanto, o ponto de virada aconteceu quando as ameaças tornaram-se públicas. Ao ouvir que ele quebraria suas pernas, o então presidente da União da Ilha interveio, oferecendo proteção institucional. "Sempre soube que corria risco de vida, mas ali vi que estava grave demais", relembrou Cris.
Após oito anos de abusos, Cris Caldas finalmente buscou ajuda, dirigindo-se à delegacia para denunciar o agressor, o que resultou em uma medida protetiva. Embora não tenha revelado a identidade do ex-companheiro, ela fez um apelo poderoso para outras mulheres que possam estar passando por situações semelhantes. Cris enfatizou que a independência, inclusive a financeira, é essencial para a liberdade. "Não precisa ter medo. Eu só queria viver", concluiu. Se você ou alguém que você conhece está enfrentando violência doméstica, ligue 180. A Central de Atendimento à Mulher oferece apoio e orientação qualificada 24 horas por dia.
Fonte: D24AM