Custos da água potável impactam famílias e pequenos negócios no Pará
A falta de saneamento e a contaminação dos rios elevam os custos do acesso à água potável para famílias e pequenos negócios no Pará, afetando a economia local e o turismo.

A água é um elemento fundamental para a sobrevivência e desenvolvimento das sociedades. Apesar de ser considerada abundante, o acesso à água potável ainda não é amplo em algumas localidades devido à falta de saneamento básico e à contaminação dos rios. Esse cenário afeta diretamente a rotina de quem depende do recurso para consumo e geração de renda.
Pequenos negócios dos setores de alimentação, saúde e outros ramos precisam de água potável para funcionar, respeitando critérios de qualidade e regras sanitárias. Por isso, muitos empreendedores e pequenos produtores buscam alternativas para garantir o acesso à água adequada, o que gera custos adicionais para suas economias.
Segundo a engenheira ambiental e especialista em projetos sustentáveis, Mariana Sena, a poluição e o descarte de resíduos tornam a água um recurso finito, mesmo em regiões com muitos rios. Ela destaca que a contaminação dos mananciais compromete a segurança da água retirada de rios ou poços, levando produtores a adquirirem água mineral para suas produções. Mariana exemplifica que, ao comparar o preço de uma garrafa de água mineral com o abastecimento de uma caixa d'água de cinco mil litros, percebe-se o aumento do custo para garantir a qualidade dos produtos.
A especialista ressalta a importância da água potável na produção do açaí, principal produto do Pará, responsável por movimentar a bioeconomia do estado e garantir o sustento de milhares de famílias ribeirinhas. Ela também observa que famílias estão optando por pontos turísticos e espaços naturais mais afastados das áreas urbanas, onde há menor concentração de águas poluídas. Esse comportamento impacta a economia local, pois as pessoas preferem pagar mais por ambientes limpos, reforçando a necessidade de saneamento para promover o turismo.
Mariana cita como exemplo a Estação das Docas, em Belém, onde é comum sentir odores provenientes de esgotos sem tratamento. Ela destaca que a água é o eixo do saneamento e que a falta de cuidados adequados com o recurso resulta em problemas locais. A engenheira também menciona a importância da comunicação entre a comunidade e a concessionária responsável, destacando o Programa Afluentes, da Águas do Pará, que conecta a empresa com lideranças comunitárias para apontar dificuldades como falta de água, rompimentos de encanamento e desperdício. A entrevista com Mariana Sena foi realizada no quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, transmitido pela rádio CBN Amazônia no sábado, 4 de julho, com apresentação da jornalista Dayse Gomes.
Fonte: Portal Amazônia