Diocese de Alto Solimões confirma despejo do Bar do Armando em Manaus
O bispo dom Adolfo Zon Pereira confirmou que não haverá acordo com o Bar do Armando, que deve desocupar imóvel no Centro de Manaus após decisão judicial.

MANAUS – O bispo da Diocese do Alto Solimões, dom Adolfo Zon Pereira, declarou ao ATUAL na última terça-feira (14) que não há mais espaço para acordo em relação à permanência do Bar do Armando no imóvel localizado no Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus. Esta afirmação vem após uma decisão final da Justiça que determinou a desocupação do local, deixando a Diocese responsável pela execução da ordem.
Dom Adolfo reafirmou que a Diocese irá acatar a decisão judicial e optou por não comentar sobre o processo em andamento. "A posição da Diocese é a posição da Justiça", destacou o bispo. Ao ser indagado sobre a possibilidade de uma negociação com a família que administra o bar, ele foi categórico ao descartar qualquer acordo, afirmando que a disputa judicial chegou ao seu término.
Na segunda-feira (13), Ana Cláudia Soeiro Soares, administradora e herdeira do Bar do Armando, havia feito um apelo à população para que apoiasse a permanência do bar, que está em funcionamento há 63 anos. Ela já havia declarado que a família esgotou todas as opções jurídicas para evitar a desocupação e negou que tenha buscado a propriedade do imóvel através de usucapião, afirmando que sempre reconheceram a propriedade da Diocese.
O advogado da família, Fausto Ventura, explicou que a disputa judicial começou em 2015, quando a Diocese notificou os responsáveis pelo bar para deixarem o imóvel. Desde então, a defesa apresentou todos os recursos possíveis, mas a decisão final foi favorável à Diocese. Ele ainda mencionou que houve um contrato de locação renovado por dois anos, mas com cláusulas que consideram abusivas, levando à ação renovatória para garantir a permanência do bar.
Além disso, em 2017, a Diocese ajuizou uma ação de despejo para uso próprio do imóvel. O Bar do Armando, reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas desde 2015, é um espaço tradicional em Manaus e é famoso por ser o berço da Banda da Bica, também reconhecida como Patrimônio Cultural do Estado. A situação do bar gera grande preocupação na comunidade local, que vê a desocupação como uma perda significativa de parte da história cultural da cidade.
Fonte: Amazonas Atual