Dissertação revela as memórias dos artistas circenses de rua em Belém
A dissertação 'Memórias das artes circenses de rua em Belém' traz à tona a rica e complexa realidade da arte circense na capital paraense, abordando resistência e identidade.

Intitulada 'Memórias das artes circenses de rua em Belém', a dissertação de Yure Martins oferece um panorama abrangente sobre a arte circense de rua na capital paraense. O trabalho é desenvolvido tanto em semáforos, como na Travessa Nove de Janeiro, quanto nas salas da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde o malabarista e pesquisador entrelaça memórias, apagamentos e resistências.
Yure optou por uma abordagem inovadora ao organizar sua pesquisa como se fosse um espetáculo, seguindo a orientação da professora Bene Martins, que sugere que o leitor deve ser convocado a observar a arte que persiste nas margens. Essa liberdade criativa permitiu que ele fugisse dos moldes tradicionais, utilizando suas experiências desde 2008, quando começou a registrar seus treinos e ensaios com malabares.
A dissertação explora a memória através de diversas mídias, como vídeos, cinema e documentários, além de fotografias, que Yure considera um 'retrato congelado' da realidade. O pesquisador enfatiza a complexidade de trabalhar com a própria memória, ressaltando que muitos estudiosos não se arriscam a trazer suas lembranças pessoais para a pesquisa.
Um aspecto central da tese é a interconexão entre as memórias individuais e coletivas dos artistas circenses de rua. Yure desenvolveu uma metodologia que dialoga com diferentes métodos de discussão sobre memória, mesmo quando estes são contraditórios, utilizando referências de História, Antropologia e Ciências Sociais. Embora seu plano inicial incluísse entrevistas com outros artistas, a pandemia limitou a realização dessas conversas, levando-o a usar textos de documentários e entrevistas já realizadas anteriormente.
Os encontros semanais de malabares e circo, que ocorreram em Belém, principalmente na Praça da República e na Praça de São Brás, foram fundamentais para a formação e resistência dos artistas circenses. Esses encontros, que começaram após os artistas faturarem nos fins de semana, se tornaram um espaço de convivência e troca até 2017 e continuaram de forma itinerante até 2023. Yure também discute a influência da Escola Circo, que, apesar de sua relevância, não formou a maioria dos artistas de rua na cidade, refletindo assim sobre o preconceito e a marginalização enfrentados por esses profissionais.
Fonte: Portal Amazônia