Economista do Plano Real Critica Banco Central por Rombo Fiscal
André Lara Resende, economista do Plano Real, responsabiliza o Banco Central pelas altas taxas de juros que provocam desequilíbrio fiscal no Brasil. Ele propõe novas regras para a gestão fiscal.

O professor André Lara Resende, economista que integrou a equipe do Plano Real, está em evidência por suas críticas ao Banco Central (BC) do Brasil, que ele acusa de provocar um desequilíbrio fiscal através das elevadas taxas de juros. Em seu artigo, ele defende a implementação de novas regras para despesas e juros no país, apontando que a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, é insustentável.
André Lara Resende, formado pela PUC do Rio de Janeiro e com doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), critica a narrativa do mercado financeiro e do BC sobre a justificativa das altas taxas de juros. Em um ranking da Moneyou, o Brasil é destacado como tendo a taxa de juros real mais alta do mundo, algo que o economista considera um fator central para o desequilíbrio fiscal que se busca combater.
O artigo, escrito às vésperas do primeiro turno das eleições, também faz duras críticas à grande imprensa, que, segundo ele, erroneamente atribui o problema fiscal aos gastos primários, quando, na verdade, a raiz do problema está nos juros. O Banco Central, por sua vez, defende as taxas elevadas como uma medida necessária para controlar a inflação e os déficits fiscais primários, que ocorrem quando as despesas superam as receitas, excluindo os gastos com a dívida.
No entanto, Resende argumenta que, ao considerar apenas os gastos primários, o Brasil apresenta um dos menores déficits fiscais do mundo. Ele afirma que, se excluídos os serviços da dívida, as contas públicas estariam praticamente equilibradas, e que a maior parte da despesa do Estado está relacionada aos juros sobre essa dívida.
O economista sugere que a solução para o desequilíbrio fiscal reside na redução da taxa de juros, que nos últimos 12 meses consumiu mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento, representando 8,9% do PIB. Ele propõe um novo regime fiscal e monetário, com metas de inflação e de juros a serem anunciadas em conjunto pelo Banco Central, além de uma intervenção do BC no mercado de câmbio para evitar a depreciação do real, citando que o país possui reservas internacionais suficientes para tal.
Fonte: D24AM