El Niño deve atingir intensidade muito forte no último trimestre de 2026
Boletim do Inmet e instituições federais aponta aumento de seca no centro-norte e cheias no Sul do Brasil. Fenômeno pode ser o mais intenso desde 1950.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) divulgaram nesta quarta-feira (30 de setembro) o Boletim nº 4, que apresenta o monitoramento, previsões e possíveis impactos do El Niño no Brasil em 2026.
Segundo o boletim, o El Niño deve alcançar intensidade muito forte, com 95% de chance, no próximo trimestre (outubro, novembro e dezembro), entre a primavera e o verão, podendo ser o fenômeno mais intenso desde 1950. A previsão indica que o fenômeno deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
O boletim aponta um cenário de extremos climáticos: seca e aumento do risco de fogo no centro-norte do país, e chuvas acima da média com risco de cheias no Sul. Além disso, as temperaturas devem ficar acima da faixa normal em quase todo o Brasil. Esses padrões representam tendências sazonais, e os impactos em cada local dependem da evolução das condições meteorológicas.
Dados parciais de setembro do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) indicam que o número de municípios em seca extrema subiu de 4 para 24 em um mês. Os municípios em seca severa passaram de 153 para 197, com maior aumento no Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe. No Nordeste, 16% da região está em seca grave, o quadro mais severo do país. No Norte, a seca piorou rapidamente em Roraima, Acre e Amazonas, onde há municípios com dificuldade para captar água e com a navegação comprometida.
No Sul, chuvas volumosas elevaram os rios e provocaram inundações, principalmente no Vale do Taquari e ao longo do rio Caí, no Rio Grande do Sul, e em municípios de Santa Catarina. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico para a região em 2026. A previsão para outubro a dezembro indica chuva acima do normal no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste, com risco de cheias que deve diminuir até dezembro.
O boletim destaca que a falta de chuva e o calor no centro-norte podem prejudicar a soja, o café e os rebanhos do semiárido. No Sul, a umidade favorece o milho, mas o excesso de chuva pode aumentar doenças no trigo e dificultar o plantio da soja e do arroz. Recomenda-se o acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas, bem como das previsões, avisos e alertas emitidos pelos órgãos oficiais.
As instituições participantes continuarão realizando o monitoramento das condições associadas ao El Niño e disponibilizando atualizações periódicas para subsidiar ações de prevenção, preparação e gestão de riscos. A Defesa Civil Nacional recomenda que a população se cadastre para receber alertas, enviando o CEP por SMS para 40199 ou pelo WhatsApp (61) 2034-4611 e pelo Telegram (@defesacivilbrbot). Os avisos meteorológicos do INMET estão disponíveis em avisos.inmet.gov.br.
Fonte: Portal Amazônia