Tambaqui é classificado como espécie vulnerável: especialistas alertam
O tambaqui foi classificado como vulnerável pelo ICMBio, evidenciando a necessidade de ações para preservar a espécie. Pesquisadores ressaltam a importância do manejo sustentável.

O tambaqui (Colossoma macropomum), conhecido peixe da Amazônia, foi recentemente classificado como espécie “vulnerável” na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, o que pegou muitos de surpresa. No entanto, essa mudança já era esperada por especialistas, conforme explica o professor Bruno Prudente, doutor em zoologia e docente na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).
Bruno Prudente esclarece que a inclusão do tambaqui na lista de ameaçados é um reflexo de um processo gradual, decorrente de avaliações anteriores que já indicavam riscos à espécie. A lista, atualizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), segue critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e foi publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em 27 de abril de 2026.
O professor alerta que, apesar da importância do tambaqui na pesca e nos ecossistemas aquáticos, muitas espécies menos populares enfrentam ameaças semelhantes. Ele destaca a função ecológica do tambaqui como dispersor de sementes e na ciclagem de nutrientes, sendo essencial para a preservação das florestas de várzea, berçário de várias espécies de peixes amazônicos.
O tambaqui, que pode produzir até um milhão de ovos por fêmea na época reprodutiva, sofre com o desmatamento e a alteração da vazão dos rios, impactando sua reprodução. Para o professor Prudente, são necessárias medidas de manejo e regulamentação da pesca, além de investimentos em estudos que ajudem a entender melhor a biodiversidade da região.
O professor Igor Hamoy, da UFRA, também enfatiza a importância da aquicultura sustentável como uma alternativa para aliviar a pressão sobre as populações naturais de tambaqui. A universidade já desenvolve tecnologias de rastreabilidade genética que permitem identificar a origem dos peixes comercializados, o que pode ser crucial para diferenciar entre os provenientes de cativeiro e os capturados ilegalmente na natureza.
Fonte: Portal Amazônia