Empresas que apoiaram a ditadura podem ser responsabilizadas por indenizações
Prudente Mello, conselheiro da Comissão de Anistia, propõe que empresas que ajudaram a ditadura militar devolvam parte dos gastos com indenizações a perseguidos políticos.

Prudente José Silveira Mello, conselheiro da Comissão de Anistia vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, está defendendo que as empresas que apoiaram a ditadura militar entre 1964 e 1985 devolvam recursos ao Estado. Essa proposta surge em resposta aos altos custos que o governo brasileiro tem arcado com indenizações destinadas a vítimas de perseguições políticas durante aquele período.
O advogado trabalhista, que também atua como relator de um processo que reconheceu a perseguição ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, recomendou que o Estado busque a responsabilização de empresas nacionais e multinacionais que contribuíram para a repressão e violação dos direitos dos trabalhadores. Mello argumenta que não é justo que apenas a sociedade brasileira suporte financeiramente essas indenizações.
Durante uma sessão da comissão, Mello destacou que existem evidências concretas de que algumas grandes empresas colaboraram de maneira sistemática com o golpe de 1º de abril de 1964, que resultou na deposição do presidente eleito João Goulart. Ele enfatizou que a ditadura civil-militar teve o apoio logístico e financeiro de parte do empresariado, tanto nacional quanto internacional.
O conselheiro esclareceu que muitas empresas colaboraram com a repressão ao demitir trabalhadores grevistas e elaborar listas de funcionários que dificultavam sua reintegração. Essas ações, segundo Mello, foram motivadas por interesses econômicos e visavam suprimir a organização dos trabalhadores, cerceando seus direitos.
Mello propõe que, quando houver provas suficientes de que uma empresa colaborou com a ditadura, o Estado busque judicialmente a responsabilização e a devolução de parte dos mais de R$ 1 bilhão que já foram gastos em indenizações. Ele acredita que essa é uma maneira de evitar que tais violações de direitos humanos voltem a ocorrer e que a sociedade aprenda com os erros do passado.
Fonte: D24AM