Estudo aponta amplificação da vazão em planícies do baixo Amazonas
Estudo revela que pequenas variações na vazão do Amazonas são amplificadas nas planícies de inundação, com impactos para biodiversidade e comunidades ribeirinhas. Pesquisadores recomendam monitoramento contínuo.

O aumento da vazão do rio Amazonas nas últimas décadas tem sido acompanhado por mudanças significativas nas planícies de inundação da região central da bacia Amazônica. O rio Amazonas, com cerca de 6.900 quilômetros de extensão, forma a maior bacia hidrográfica do mundo e, em Óbidos (PA), a 800 km da foz, sua vazão média chega a 160 mil metros cúbicos por segundo, valor comparável à soma dos sete rios mais caudalosos do planeta.
Entre 1970 e 2023, uma equipe de hidrólogos do Brasil, França e Reino Unido, liderada por Alice Fassoni de Andrade (UnB), analisou o histórico do fluxo de águas em quatro planícies de inundação do baixo Amazonas, entre Manaus (AM) e Santarém (PA). O estudo combinou medições de nível e vazão, imagens de satélite e modelos computacionais para estimar as variações. Os resultados mostraram que, entre 2005 e 2023, a vazão do rio aumentou 4,7% em relação ao período de 1970 a 2004, enquanto na planície do Lago Grande do Curuai, em Santarém, o aumento chegou a 60%.
Durante as grandes enchentes de 2009 e 2021, a vazão na planície alagada de Parintins (AM) ultrapassou 40 mil m³/s, valor próximo à vazão média do rio Congo, na África. Em junho de 2022, medições na planície do Lago Grande do Curuai registraram quase 17 mil m³/s, semelhante à vazão média do rio Mississippi, nos Estados Unidos. Pesquisadores do Inpe também registraram 19 mil m³/s em 2006 e 12 mil m³/s em 2014 no mesmo local.
O estudo destaca que pequenas variações na vazão do rio podem ser amplificadas em até 13 vezes nas planícies de inundação, devido a fatores como profundidade, largura e resistência da vegetação. Essas mudanças afetam o transporte de sedimentos, matéria orgânica e a dinâmica de habitats aquáticos, com possíveis consequências para a biodiversidade e as comunidades ribeirinhas. Dados da estação de Porto de Manaus indicam aumento de 18% na diferença entre os níveis mínimo e máximo do rio em relação ao século anterior.
Os pesquisadores recomendam o monitoramento contínuo dos fluxos de água nas planícies de inundação. O estudo também aponta que a intensificação das secas e cheias extremas está relacionada ao aquecimento global, conforme previsto por modelos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Projetos em andamento buscam mapear vulnerabilidades e propor zoneamento ecológico-econômico para a várzea da Amazônia Central.
Fonte: Portal Amazônia