Estudo da Ufam revela genoma de bactéria que afeta citros no Amazonas
Pesquisadora da Ufam, Milena Dantas, sequencia genoma da Xylella fastidiosa no Amazonas. A descoberta é crucial para o manejo de culturas agrícolas na região.

A doutoranda Milena Dantas Ribeiro, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Agronomia Tropical da Universidade Federal do Amazonas (PPGATR/UFAM), fez uma importante descoberta ao sequenciar e caracterizar, pela primeira vez, o genoma da bactéria Xylella fastidiosa, pertencente à subespécie pauca, isolada de citros no estado do Amazonas. Essa bactéria é conhecida por estar associada a doenças que afetam culturas de grande importância econômica, como citros e café.
O estudo foi apresentado por Milena em uma conferência realizada na Itália, a 5ª Conferência Europeia sobre Xylella fastidiosa, organizada pela European Food Safety Authority (EFSA), que ocorreu entre os dias 23 e 25 de junho de 2026, na cidade de Mola di Bari. Dois trabalhos resultantes de sua pesquisa foram destacados no livro de resumos do evento, intitulado “Primeiro genoma de Xylella fastidiosa isolada de citros no Amazonas, Brasil” e “Posicionamento filogenômico e classificação em subespécie de um isolado de Xylella fastidiosa do Amazonas, Brasil”.
A pesquisa de Milena Dantas começou durante seu mestrado, quando ela observou a Clorose Variegada dos Citros (CVC) em experimentos realizados no município de Rio Preto da Eva (AM). A bactéria provoca sintomas graves em citros, como a coloração amarelada das folhas e a redução do tamanho das laranjas, impactando diretamente a produção agrícola.
Durante a conferência, que contou com a presença de cerca de 400 especialistas de diferentes países, Milena teve a oportunidade de compartilhar suas descobertas e discutir metodologias de manejo fitossanitário. A caracterização do genoma da bactéria é um marco científico, pois fornece informações valiosas sobre a composição genética do isolado amazônico e sua relação evolutiva com outros genomas encontrados no Brasil e no mundo.
A identificação do isolado como pertencente à subespécie pauca é especialmente relevante, uma vez que essa variante é associada a enfermidades que afetam culturas de grande impacto econômico. Com os dados genéticos obtidos, instituições de monitoramento e vigilância fitossanitária poderão desenvolver planos de prevenção e manejo eficazes, protegendo assim a produção agrícola local. A pesquisa foi apoiada por diversas instituições, incluindo a Ufam, a Capes, o CNPq e a Fapeam.
Fonte: Portal Amazônia