Estudo de Mato Grosso revela estratégias de defesa das plantas
Pesquisadores da UFMT descobriram que plantas, como o tomateiro, utilizam diferentes estratégias de defesa contra danos, adaptando-se às circunstâncias. O estudo foi publicado em julho de 2023.

Um estudo realizado por pesquisadores do Campos Lab da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) revelou que as plantas lutam constantemente pela sobrevivência frente a predadores herbívoros. Publicado no início de julho, o artigo mostra que as espécies vegetais não vivem na tranquilidade que aparentam, mas adotam diversas estratégias defensivas conforme a natureza e a intensidade dos danos sofridos.
A pesquisa focou no comportamento do tomateiro (Solanum lycopersicum L.) em resposta a diferentes níveis de dano mecânico. Sob condições controladas, as plantas foram sujeitas a um, três, cinco ou dez ferimentos, utilizando uma pinça especial que simulava os danos causados por pragas herbívoras. As respostas de defesa foram avaliadas em três momentos distintos, permitindo uma análise temporal das reações das plantas.
O estudo considerou diversos fatores, incluindo características fenotípicas, alterações metabólicas, hormonais e na transcrição do RNA, que é a forma como os genes são expressos nas células. “A pesquisa mostra que muitas das respostas metabólicas aumentam conforme o número de machucados, indicando uma resposta defensiva da planta. Contudo, também observamos que algumas reações aumentam e depois diminuem, mostrando que a planta consegue identificar a extensão do dano e adapta sua estratégia de defesa”, explicou a pesquisadora Beatriz Corrêa Araújo.
Uma das descobertas importantes do estudo envolve o comportamento de duas enzimas que ajudam a entender as estratégias de defesa das plantas. Quando um ferimento ocorre, as plantas produzem moléculas conhecidas como espécies reativas de oxigênio (ROS), que sinalizam o dano. Contudo, em excesso, essas moléculas podem prejudicar as células vegetais. Para contornar esse efeito, a planta utiliza energia e nutrientes na produção de enzimas antioxidantes, como a catalase e a peroxidase, mas a pesquisa identificou que a atividade dessas enzimas é máxima em danos moderados e diminui com ferimentos mais intensos.
“A nossa interpretação é que, no início do dano, as ROS aumentam para sinalizar o problema, e isso resulta em uma alta atividade das enzimas que controlam essas moléculas. Entretanto, quando o dano é severo, a planta muda sua prioridade, investindo energia em outras respostas como regeneração, cicatrização, produção de moléculas tóxicas para insetos ou fortalecimento estrutural através da produção de tricomas”, complementou Beatriz. Esses tricomas, semelhantes a pelos, podem dificultar a movimentação e alimentação de insetos, e o tomateiro possui pelo menos sete tipos diferentes, cada um com funções defensivas específicas. O estudo foi orientado pelo professor Marcelo Lattarulo Campos e está disponível na revista Plant, Cell & Environment.
Fonte: Portal Amazônia