Estudo investiga transformações dos manguezais no Pará
Pesquisadores do Museu Goeldi, em parceria com a UFPA, buscam entender as mudanças nos manguezais do Pará ao longo do tempo, visando sua conservação.

Um grupo de pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), integrado a um estudo coordenado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), está realizando uma pesquisa para recuperar informações sobre as transformações dos manguezais do Pará ao longo dos anos. O foco é comparar as condições ambientais atuais com registros do passado, o que é essencial para subsidiar ações de conservação desses ecossistemas.
A pesquisa, que faz parte do projeto maior intitulado "Estudo socioambiental da zona costeira do Estado do Pará", envolve coletas de sedimentos e análise de ciclos de carbono e nitrogênio. Essas amostras, ao serem examinadas em camadas finas, devem revelar informações sobre as mudanças nas condições ambientais e a matéria orgânica acumulada ao longo do tempo, permitindo que os cientistas entendam como era a natureza antes das intervenções humanas.
O projeto é desenvolvido por uma rede de pesquisadores da UFPA, do MPEG e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), com o apoio financeiro da Petrobras e a colaboração de órgãos como o ICMBio e a Semas. Os pesquisadores estão realizando visitas de campo em 27 municípios costeiros, onde trabalham em conjunto com comunidades locais e unidades de conservação, promovendo mapeamentos participativos e entrevistas que ajudam a entender melhor a dinâmica dos manguezais.
Zonaibe Luz, coordenador da Cocte/MPEG, enfatiza a importância da participação comunitária nas atividades de campo, muitas vezes contando com guias locais, como pescadores, que conhecem bem os rios e estuários da região. Essa interação não apenas facilita o trabalho de coleta, mas também enriquece a experiência, permitindo a troca de conhecimentos sobre as mudanças observadas na região ao longo dos anos.
As análises realizadas pelos pesquisadores incluem a identificação de isótopos de carbono e nitrogênio, que ajudam a rastrear as transformações ambientais e a determinar a origem da matéria orgânica. Além disso, o material coletado está sendo aproveitado em outras pesquisas complementares, permitindo um estudo mais abrangente sobre a evolução ambiental dos manguezais do Pará. O projeto, que se estende até o final de 2024, representa uma oportunidade única para gerar um entendimento integrado e interdisciplinar sobre a importância desses ecossistemas para a conservação ambiental.
Fonte: Portal Amazônia