Estudo revela ligação entre seca e prematuridade no Brasil
Uma pesquisa da Fiocruz mostra que a seca durante a gestação aumenta a chance de partos prematuros. O estudo analisou 30 milhões de nascimentos ao longo de 20 anos.

A pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que a exposição à seca durante a gestação está relacionada a um aumento nas taxas de prematuridade e a problemas no crescimento fetal. O estudo analisou dados de quase 30 milhões de nascimentos no Brasil, abrangendo um período de 20 anos.
Segundo o levantamento, aproximadamente 8% dos nascimentos vinculados à seca foram prematuros, enquanto quase 10% resultaram em bebês considerados pequenos para a idade gestacional. A pesquisa enfatiza que a escassez de água, intensificada por mudanças climáticas, contribui para desfechos adversos no nascimento.
A pesquisa, liderada pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Aline Rocha, considerou diferentes períodos de exposição à seca: três, seis e nove meses. Além disso, foram levados em conta fatores como características maternas, a região de residência da mãe, se a área era urbana ou rural, e condições de abastecimento de água.
Aline Rocha ressalta a importância dos dados obtidos, especialmente em um país como o Brasil, que apresenta profundas desigualdades sociais e variações regionais em relação à vulnerabilidade diante de eventos climáticos. O estudo identificou que as associações entre seca e desfechos adversos não são uniformes em todo o território nacional, com maiores taxas de prematuridade observadas nos biomas da Amazônia, Cerrado e Pampa, além de municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito baixo.
Os resultados da pesquisa foram utilizados para elaborar o documento intitulado Seca e saúde materno-infantil no Brasil: caderno de recomendações para a gestão pública. Este material, produzido em colaboração com representantes do governo, profissionais da saúde e organizações da sociedade civil, contém recomendações para a gestão pública, incluindo a necessidade de incorporar indicadores de seca nos sistemas de monitoramento e vigilância em saúde, além de reforçar o acesso à água.
Fonte: D24AM