ARIE PDBFF celebra 41 anos protegendo a Amazônia e sua biodiversidade
Desde sua criação em 1985, a ARIE PDBFF tem sido fundamental para pesquisas sobre os efeitos da fragmentação florestal na Amazônia.

A Área de Relevante Interesse Ecológico Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (ARIE PDBFF) foi estabelecida em 5 de novembro de 1985, com o objetivo de proteger fragmentos florestais essenciais à pesquisa científica da biodiversidade na Amazônia. Localizada no Distrito Agropecuário da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a unidade é um espaço vital para estudos sobre as consequências da fragmentação da floresta.
Um dos pilares da ARIE PDBFF é o Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), que teve início em 1979 e se tornou uma referência internacional no entendimento dos efeitos da fragmentação florestal. O projeto foi idealizado pelo biólogo Thomas Lovejoy, que se questionou sobre o tamanho mínimo necessário de uma área florestal para a conservação da biodiversidade. As investigações buscam observar o que ocorre com a flora e fauna após a divisão da floresta em fragmentos de diferentes tamanhos.
O estudo se destaca por permitir que os cientistas conheçam a floresta antes da fragmentação, o que é raro em pesquisas desse tipo. Essa abordagem proporciona uma comparação precisa entre a biodiversidade original e as transformações causadas pela retirada da vegetação. Ana Segalin, bióloga que coordena as atividades de campo do projeto, ressalta que esses registros anteriores à fragmentação são um patrimônio científico inestimável para o PDBFF.
A criação da ARIE PDBFF na década de 1980 estava ligada a um contexto de expansão da ocupação na Amazônia, onde surgiam discussões sobre a criação de unidades de conservação. A secretária executiva da Associação de Levantamento Florestal do Amazonas (ALFA), Paula Taquita, explica que a proposta inicial visava entender o tamanho ideal para a conservação, uma questão ainda não resolvida na época. O projeto foi concebido em parceria com a WWF e envolveu negociações com proprietários de terras para assegurar que áreas fossem preservadas enquanto outras eram transformadas em pastagens.
Apesar da relevância científica do PDBFF, a continuidade das pesquisas enfrenta desafios relacionados a condições ambientais e financeiras. O último reisolamento dos fragmentos foi feito em 2014, e os custos altos desse processo dificultam sua repetição. Com o avanço da ocupação urbana, é essencial a colaboração entre pesquisadores, órgãos ambientais e a comunidade para garantir a proteção e a continuidade das atividades de pesquisa na área.
Fonte: Portal Amazônia