Estudo revela 111 espécies de copépodes no plâncton da Amazônia
Um levantamento da UFRA identificou 111 espécies de copépodes, crustáceos essenciais para a cadeia alimentar marinha na costa amazônica.

Pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), localizada no Pará, realizaram um estudo que mapeia a diversidade e as características ecológicas dos copépodes, pequenos crustáceos que desempenham um papel crucial na cadeia alimentar marinha. Estes organismos são vitais, pois servem de alimento para peixes e ajudam a manter os ciclos de nutrientes no ecossistema aquático.
O levantamento, que analisou amostras coletadas em 2001 durante três campanhas oceanográficas, revelou diferenças na composição do plâncton em ambientes costeiros, de transição e oceânicos da Plataforma Continental Amazônica. Os copépodes, que são os crustáceos mais abundantes nas amostras, apresentam características ecológicas como onivoria e alimentação mista, variando entre as comunidades analisadas.
O trabalho resultou na identificação de 197 grupos de organismos, dos quais 111 são espécies de copépodes. Destes, 64 grupos foram registrados em todas as três campanhas. Além da identificação, a equipe investigou características ecológicas de 101 espécies, analisando suas estratégias de alimentação e reprodução, tipos de alimentos consumidos e distribuição na coluna de água.
Os dados foram coletados como parte do programa REVIZEE, que visa avaliar o potencial sustentável dos recursos vivos na Zona Econômica Exclusiva. O professor Nuno Melo, da UFRA e autor principal do artigo publicado na revista Brazilian Journal of Biology, destacou a relevância dessas amostras como um patrimônio científico que continua a gerar conhecimento sobre as relações alimentares que sustentam a vida marinha.
A pesquisa também está alinhada com o Plankton Manifesto, uma iniciativa da ONU que busca aumentar a conscientização sobre a vida planctônica e a importância de investimentos contínuos em monitoramento dos oceanos. Atualmente, os pesquisadores estão desenvolvendo o Projeto PLUMA, que visa analisar a composição química da água e a biodiversidade da Bacia da Foz do Rio Amazonas, ampliando o conhecimento sobre a região e possibilitando comparações com dados históricos do REVIZEE.
Fonte: Portal Amazônia