Estudo revela a importância das formigas na recuperação de florestas
Pesquisadores da UFMT, UNEMAT e UFAM mapeiam a falta de estudos sobre formigas e dispersão de sementes no Brasil, destacando seu papel crucial na restauração de florestas.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em colaboração com a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), revelou uma escassez de pesquisas sobre a atuação das formigas na dispersão de sementes no Brasil. Essa interação das formigas é descrita como uma engenharia invisível que desempenha um papel vital na recuperação de florestas.
A pesquisa, publicada na Brazilian Journal of Biology, aponta para uma grave falta de dados sobre como as formigas ajudam na dispersão de sementes em biomas ameaçados, como a Amazônia, o Pantanal e o Pampa. Os pesquisadores analisaram uma década de literatura científica e descobriram que a maioria das pesquisas no Brasil foca apenas na mata atlântica e no cerrado, ignorando outras regiões essenciais para a biodiversidade.
Embora o Brasil tenha liderado globalmente com o maior número de publicações sobre o tema, totalizando 27 artigos e representando 17,9% de toda a produção mundial, essa concentração em apenas dois biomas deixa vastas áreas sem informações importantes. Essa falta de dados ocorre em um momento crítico, quando o desmatamento e as queimadas estão em ascensão, dificultando uma compreensão adequada do funcionamento dos ecossistemas.
Ricardo Vicente, pesquisador da UFAM e um dos autores do estudo, alerta que essa ausência de informações pode comprometer as estratégias de conservação. “Na prática, isso cria um ‘apagão de informação’: onde mais precisamos de conhecimento ecológico, sabemos menos, o que pode levar a decisões equivocadas sobre a conservação”, explica Vicente.
As formigas desempenham um papel essencial na mirmecocoria, processo em que as plantas oferecem uma parte nutritiva acoplada à semente, que é transportada para os ninhos das formigas. No entanto, a pesquisa revela que apenas 17,9% dos estudos investigaram se as sementes foram realmente dispersas e 16,6% avaliaram a viabilidade das sementes após o manuseio. Para que a recuperação das florestas brasileiras seja efetiva, os autores defendem a necessidade de metodologias padronizadas que garantam o acompanhamento do destino final das sementes.
Fonte: Portal Amazônia