Estudo revela áreas de risco de deslizamentos e inundações em Manaus
Levantamento aponta 610 hectares em risco de deslizamentos e 350 hectares sujeitos a inundações na capital amazonense, destacando falhas na gestão pública.

Manaus enfrenta um grave problema de risco ambiental, conforme um estudo realizado pela plataforma Natureza ON, que identificou 610 hectares com potencial para deslizamentos de terra e 350 hectares propensos a inundações. Essa área mapeada equivale a 875 campos de futebol e deveria ser de conhecimento da Prefeitura de Manaus, que tem a responsabilidade de implementar medidas preventivas.
A gestão do ex-prefeito David Almeida e a atual administração de Renato Júnior estão sendo investigadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) devido à falta de execução adequada do orçamento destinado à prevenção de desastres. Nos últimos anos, o município registrou acidentes fatais em áreas de risco, evidenciando a necessidade de ações mais efetivas.
Dos 610 hectares identificados como áreas de deslizamento, 86% estão classificados como de muito alto perigo. O estudo foi desenvolvido em parceria entre a Fundação Grupo Boticário, MapBiomas e tecnologia do Google Cloud, que cruzam dados oficiais para mapear riscos climáticos e sugerir intervenções imediatas.
Apesar da existência de áreas de risco, dados do Portal da Transparência mostram que a Prefeitura não utilizou todos os recursos disponíveis para infraestrutura preventiva. Em 2024, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) tinha um orçamento inicial de R$ 173 milhões, mas apenas R$ 55,1 milhões foram gastos, representando 48,5% do total.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional ressaltou que a responsabilidade pela execução de obras de contenção e prevenção de desastres é da Prefeitura de Manaus. Entre 2021 e 2024, o município empenhou R$ 70,8 milhões para áreas de risco, mas apenas R$ 34,7 milhões foram pagos, gerando preocupação nos órgãos de controle. O Ministério Público de Contas (MPC) já acionou o TCE para apurar as responsabilidades da gestão em relação à falta de estruturação da Defesa Civil Municipal.
A bióloga Juliana Baladelli Ribeiro, da Fundação Grupo Boticário, apresentou soluções para estabilizar as encostas de Manaus, como a restauração de encostas com técnicas geotécnicas e vegetação nativa. Para as áreas suscetíveis a inundações, recomenda-se a criação de bacias de retenção e lagoas pluviais, que ajudam a controlar o fluxo das águas. “Essas intervenções são essenciais para a proteção da população e a mitigação dos riscos ambientais”, concluiu a especialista.
Fonte: D24AM