Nova espécie de macaco é descoberta na República Democrática do Congo
Um macaco de lábios alaranjados, conhecido como Likweli, foi reconhecido como uma nova espécie após décadas. O Colobus congoensis vive nas florestas congolesas e está ameaçado.

Um macaco com lábios alaranjados, que esteve escondido da ciência por décadas, foi finalmente reconhecido como uma nova espécie. Denominado Colobus congoensis e chamado de Likweli pelas comunidades locais, esse primata habita as florestas da República Democrática do Congo e representa a quinta espécie de macaco identificada na África nos últimos 75 anos.
A confirmação da nova espécie foi publicada na revista científica PLOS ONE, após uma extensa investigação realizada por pesquisadores da Florida Atlantic University (FAU), da City University of New York (CUNY) e de instituições congolesas e alemãs. Para validar que se tratava de uma espécie inédita, a equipe coletou evidências anatômicas, genéticas, comportamentais e ecológicas.
O Likweli se destaca não apenas pelos seus lábios em tons vibrantes de laranja e rosa, mas também pela sua pelagem preta brilhante e pelos longos. Além disso, possui uma cauda comprida e um chamado grave que lembra o rugido de outros macacos colobos, embora com uma estrutura acústica única. Os pesquisadores notaram ainda diferenças no crânio, dentes e esqueleto, que o diferenciam de todas as outras espécies africanas do grupo.
A busca pelo macaco começou em 2008, quando uma fotografia borrada de um espécime incomum foi capturada no Parque Nacional de Lomami. Após uma década, novas observações levaram os cientistas a organizar expedições mais detalhadas, resultando em 114 avistamentos entre 2018 e 2022, além de gravações de áudio e entrevistas com moradores locais. O animal é extremamente discreto e, devido à sua preferência por permanecer no topo das árvores, sua identificação foi dificultada.
Durante o estudo, as equipes visitaram 52 vilarejos nas proximidades do habitat do Likweli, mas apenas os moradores de oito comunidades reconheceram o primata, que já é conhecido na região há gerações. Os cientistas acreditam que o Colobus congoensis desempenha um papel crucial na preservação do equilíbrio da floresta, alimentando-se de folhas e ajudando na dispersão e germinação de sementes. No entanto, a situação do Likweli é preocupante, pois ele vive em uma área de aproximadamente 1.700 quilômetros quadrados e enfrenta ameaças como a perda de habitat e a caça. Por isso, os autores do estudo defendem que essa nova espécie seja classificada como ameaçada de extinção, enfatizando a importância da preservação do Parque Nacional de Lomami para a sua sobrevivência.
Fonte: D24AM