Estudo revela descompasso no desenvolvimento econômico do Amazonas
Pesquisa do professor José Alberto Machado aponta que o Amazonas perde dinamismo industrial, apesar de um PIM eficiente, e sugere a necessidade de um novo modelo econômico.

O professor de Economia da Ufam, José Alberto Machado, apresentou um estudo intitulado “Evidências de descompasso estrutural no desenvolvimento do Amazonas: economia reduz ritmo de crescimento, mesmo com indústria eficiente” que abrange o período de 2010 a 2025. O documento revela que, apesar do Polo Industrial de Manaus (PIM) ser um exemplo de indústria resiliente e com capacidade de agregar valor, o estado do Amazonas tem visto uma redução significativa em seu dinamismo industrial em comparação com o resto da região Norte e o Brasil.
Entre os dados preocupantes destacados pelo estudo, está o fato de que a indústria de transformação local apresentou um índice de agregação ao Valor Adicionado Bruto (VAB) de 32,4% em 2023, muito acima da média nacional de 15,2% e da média da região Norte, que ficou em 12,0%. Estes números demonstram que, embora a indústria amazonense seja bastante competitiva, sua contribuição não se traduz em um crescimento proporcional da economia do estado.
O estudo também alerta sobre desafios adicionais que o Amazonas enfrenta, como problemas logísticos persistentes, disputas regionais por benefícios fiscais, e a possível entrada de um novo eixo econômico com a exploração de petróleo no Amapá. Além disso, a reforma tributária e a falta de incentivo a outras matrizes econômicas além do PIM estão impactando negativamente a arrecadação do estado e sua capacidade de diversificar a economia.
José Alberto destaca que, ao longo dos últimos anos, o Amazonas não apenas cresceu menos que a média da região Norte, mas também perdeu participação relativa no PIB e em outros indicadores econômicos. Em 2006, o Amazonas representava 1,7% do PIB brasileiro, mas, em 2023, essa porcentagem caiu para 1,5%, enquanto o Pará, por exemplo, aumentou sua contribuição de 1,9% para 2,3% no mesmo período.
Para contornar essa situação, o professor sugere a necessidade de um novo modelo econômico que integre a Zona Franca de Manaus (ZFM), o PIM e a bioeconomia, em vez de depender exclusivamente do PIM. Machado argumenta que o PIM não representa toda a economia do Amazonas, mas é apenas uma parte dela, e que a inter-relação entre os setores primário, secundário e terciário precisa ser fortalecida para garantir um futuro mais promissor para o estado.
Fonte: Portal Amazônia