Estudo revela potencial do extrato de pariri contra infecções em peixes
Pesquisadores da UEMA descobriram que o extrato da folha de pariri pode eliminar bactérias em peixes, superando antibióticos tradicionais. A pesquisa é promissora para a aquicultura brasileira.

A biodiversidade da Amazônia pode oferecer soluções para uma infecção que afeta peixes e gera grandes perdas na aquicultura do Brasil. Um estudo conduzido pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), publicado na revista Brazilian Journal of Biology, revelou que uma fração do extrato da folha de pariri (Fridericia chica) apresentou um desempenho superior ao de antibióticos comerciais ao eliminar bactérias em peixes.
Os testes realizados em laboratório analisaram 54 isolados bacterianos obtidos de tambaquis criados em fazendas na Ilha do Maranhão, que estavam enfrentando um surto de aeromonose. Essa infecção bacteriana é responsável por hemorragias, úlceras e lesões na pele dos peixes, e o uso inadequado de medicamentos não autorizados tem contribuído para o surgimento de linhagens multirresistentes da bactéria Aeromonas.
De acordo com Nancyleni Pinto Chaves Bezerra, médica veterinária e porta-voz do estudo, a aeromonose é uma das principais causas de mortalidade na aquicultura nacional. “Os surtos dessa doença geram prejuízos significativos devido à interrupção da produção, altos custos de tratamento, descarte de lotes e perda de competitividade no mercado”, explica.
Atualmente, não existem antibióticos aprovados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para o tratamento do tambaqui nativo (Colossoma macropomum), e a aplicação indiscriminada de antibióticos tem transformado os tanques de piscicultura em incubadoras de superbactérias. A equipe da UEMA desenvolveu um processo que combina química de produtos naturais e microbiologia para identificar a ameaça e testar as folhas da planta pariri, extraindo compostos com eficácia contra a infecção.
Os resultados mostraram que uma fração do extrato da folha fresca inibiu o crescimento das bactérias em concentrações muito baixas, superando até mesmo a eficácia da gentamicina, um antimicrobiano amplamente utilizado. “Esses achados representam um avanço inicial na bioprospecção de compostos bioativos para o tratamento de uma doença com impactos severos”, destaca Nancyleni. Os próximos passos incluem a isolação e o entendimento dos compostos responsáveis pela atividade antimicrobiana, além de testar sua segurança em animais vertebrados, etapas essenciais antes que o extrato possa ser considerado uma opção viável para a aquicultura.
Fonte: Portal Amazônia