Estudo revela que incêndios e secas afetam diversidade na Amazônia
Pesquisa liderada por brasileiros aponta que a vegetação amazônica se recupera, mas com perda de diversidade. Áreas restauradas ficam mais vulneráveis a novos distúrbios.

Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros, publicado em 20 de abril na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), revela que a vegetação da Amazônia, mesmo após incêndios, secas severas e tempestades, mantém uma notável capacidade de regeneração. Entretanto, essa recuperação ocorre em condições ecológicas alteradas, resultando em uma perda de diversidade e um aumento da vulnerabilidade a novos distúrbios.
Os pesquisadores identificaram que espécies vulneráveis estão sendo substituídas por plantas generalistas, que são mais resistentes, levando à formação de florestas homogêneas. No entanto, o estudo contradiz a ideia de uma tendência de savanização da Amazônia, que vinha sendo discutida em parte da literatura científica, enfatizando a resiliência do bioma.
Realizada ao longo de 20 anos de monitoramento em uma floresta experimental em Mato Grosso, chamada Tanguro, a pesquisa observou três parcelas de 50 hectares, sendo uma delas um controle sem queimadas, outra submetida a queimadas anuais e uma terceira com queimadas trienais. O local foi escolhido por estar em uma região de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado, onde os impactos do aquecimento global são mais evidentes.
Leandro Maracahipes, primeiro autor do estudo e pesquisador na Yale School of the Environment, destaca que, apesar da capacidade de recuperação das florestas degradadas, elas permanecem vulneráveis a eventos extremos, como os que podem ser causados por fenômenos como o El Niño. Segundo Maracahipes, “a principal mensagem do nosso estudo é que, mesmo altamente degradadas, as florestas conseguem se recuperar, mas é preciso preservar”.
Os resultados indicaram que a recuperação da estrutura e do funcionamento da floresta foi rápida nas áreas internas, mas nas bordas a riqueza de espécies caiu entre 20% e 46%. A pesquisa também revelou que a presença da fauna local, como mamíferos e aves, é crucial para o reaparecimento de árvores especializadas. Apesar da queda no desmatamento, a degradação florestal continua, e os pesquisadores alertam para os riscos futuros, especialmente diante da possibilidade de um “super El Niño”.
Fonte: Portal Amazônia