Estudo revela resíduos de pesca na Ilha de Algodoal, Pará
Pesquisa identificou petrechos de pesca abandonados em praias da Ilha de Algodoal, destacando o impacto da atividade pesqueira na região.

A pesquisa realizada na Ilha de Algodoal, no Pará, revelou a presença de resíduos conhecidos como ALDFG, sigla em inglês para Abandoned, Lost or otherwise Discarded Fishing Gear, que se referem aos equipamentos de pesca que são abandonados, perdidos ou descartados. Com a chegada do verão amazônico, as praias da região se tornam um destino popular, atraindo famílias e turistas em busca de lazer na natureza.
Os resíduos encontrados, como cordas, redes de nylon danificadas e boias de isopor, não são exclusividade de uma única praia. Esse fenômeno ocorre em várias localidades da costa amazônica, onde a pesca artesanal e o turismo se entrelaçam. A bióloga Elaine Simone da Cruz Silva apresentou sua dissertação, intitulada 'Petrechos de pesca como resíduo praial em uma área de proteção ambiental na costa paraense', que ajuda a entender essa situação.
A pesquisa comparou quatro praias da Ilha de Algodoal: Caixa d'Água, Farol, Princesa e Cação. Os dados indicaram que a praia Caixa d'Água, mais próxima ao porto, foi a mais afetada, com 274 dos 459 itens coletados, acumulando 6,35 kg de resíduos. Em contrapartida, a praia da Princesa, que é a mais frequentada por turistas, teve a menor quantidade de resíduos, devido à ausência de currais de pesca e à limpeza regular feita pela comunidade.
Um dos achados mais interessantes da pesquisa foi a identificação de 1.543 organismos vivos que colonizavam os petrechos de pesca, como cracas, bivalves e caranguejos. Uma corda recolhida na praia do Cação continha 364 animais de sete grupos diferentes. A bióloga Elaine destaca que isso pode ter implicações positivas e negativas para o ecossistema local, dependendo das substâncias que esses resíduos possam liberar.
A pesquisa também trouxe à tona a preocupação com a fauna marinha, como tartarugas, que podem ser afetadas pelo emaranhamento em redes abandonadas. Esses dados reforçam a importância de conscientizar os visitantes sobre o descarte adequado de resíduos nas praias, especialmente em áreas de pesca ativa. Elaine recomenda que os turistas recolham materiais como redes de pesca e os descartem corretamente, ajudando a minimizar o impacto ambiental nas belezas naturais do litoral paraense.
Fonte: Portal Amazônia