UFPA e Embrapa realizam mapeamento inédito do genoma do açaí
Cientistas brasileiros mapeiam pela primeira vez o DNA do açaí, identificando características produtivas e de resistência a doenças.

No estado do Pará, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Embrapa Amazônia Oriental realizaram o mapeamento completo do DNA do açaí. Esta é a primeira vez que esse tipo de estudo é realizado, prometendo avanços significativos na produção e cultivo dessa fruta tão importante para a região.
Através da análise de amostras de bancos genéticos do açaí, foram identificadas características essenciais relacionadas à produtividade, coloração e resistência a doenças. Segundo o professor do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA, Rafael Baraúna, essa descoberta poderá acelerar o processo de seleção das melhores plantas para o cultivo, reduzindo em até três vezes o tempo necessário para desenvolver novas variedades.
O sequenciamento do DNA permite que os cientistas identifiquem variações genéticas e características específicas da planta, correlacionando-as com dados fenotípicos que a Embrapa já coleta há anos. Isso significa que os pesquisadores poderão reconhecer quais plantas apresentam as melhores potencialidades sem precisar esperar todo um ciclo de crescimento, focando em características de interesse para o cultivo.
Além disso, a pesquisa destacou as diferenças genéticas entre o açaí roxo e o açaí branco. A coloração roxa do fruto é resultado da ativação de uma enzima responsável pela produção de antocianinas, compostos que têm grande demanda na indústria farmacêutica e alimentícia. A possibilidade de replicar esses genes em um ambiente laboratorial, como em leveduras, abre novas oportunidades para a produção em larga escala dessas moléculas.
O estudo também examinou as reações dos genes do açaí em condições de seca, visando o desenvolvimento de variedades que possam se adaptar melhor a essas condições adversas. Todas as informações obtidas durante o mapeamento genético serão disponibilizadas em uma base de dados pública, e as etapas do processo foram registradas em órgãos reguladores, conforme a Lei da Biodiversidade.
Fonte: D24AM