Estudo revela resistência da Aldina heterophylla à seca e vulnerabilidade à inundação
Pesquisadores mostram que a Aldina heterophylla, árvore das campinaranas, sobrevive à seca, mas é prejudicada por alagamentos prolongados, alertando sobre os impactos das mudanças climáticas.

Um novo estudo publicado na revista Environments, liderado pela doutoranda Sthefanie Gomes Paes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), revela que a árvore Aldina heterophylla, predominante nas campinaranas amazônicas, possui uma notável resistência à seca, mas enfrenta sérios problemas em condições de alagamento prolongado.
A pesquisa descobriu que todas as mudas da Aldina heterophylla conseguiram sobreviver a longos períodos sem água, adotando uma estratégia de “economizar água” ao derrubar suas folhas, reduzindo assim a perda hídrica, enquanto mantinham o acúmulo de biomassa estável. Esse comportamento é crucial, considerando que a espécie está classificada como vulnerável à extinção.
Os experimentos foram realizados em uma casa de vegetação, onde as mudas passaram por fases críticas de germinação e crescimento inicial. Durante os testes, ficou evidente que a árvore investiu mais no desenvolvimento das raízes, utilizando reservas de amido e proteína armazenadas nas sementes, o que contribuiu para sua sobrevivência em condições secas.
No entanto, a resposta ao alagamento foi alarmante. As mudas apresentaram amarelamento, perderam folhas e formaram lenticelas no caule, estruturas que ajudam a captar oxigênio em solos encharcados. Apesar de um ganho temporário de biomassa nas raízes, o alagamento prolongado resultou na diminuição drástica da biomassa do caule e elevou a taxa de mortalidade das mudas.
Sthefanie Gomes Paes destaca que a Aldina heterophylla demonstrou uma maior tolerância à seca em comparação ao alagamento prolongado, ressaltando que o excesso de água pode representar uma ameaça significativa para as espécies típicas das campinaranas. Diante das mudanças climáticas que estão afetando o regime de chuvas na Amazônia, compreender as respostas de espécies como a Aldina é vital para prever os impactos sobre a biodiversidade e o funcionamento ecológico dessas florestas. A pesquisa recebeu apoio do CNPq, Fapeam e outras instituições, e Sthefanie foi beneficiada por uma bolsa PIBIC/CNPq-Inpa.
Fonte: Portal Amazônia